O processo de reestruturação da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) e a escolha do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues para presidir o conselho deliberativo da principal entidade do setor sucroenergécito envolveu, nos bastidores, a negociação para a volta do Grupo Alto Alegre, um dos maiores processadores de cana do País, à Unica. Compreendeu, também, a ida para o conselho da Unica de Luiz Carlos (Caio) Corrêa Carvalho, diretor do conglomerado de usinas e presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

“Com a ida do Roberto (Rodrigues) para o conselho, eu volto para a Unica e o Grupo Alto Alegre, com as usinas Alta Mogiana e Alta Floresta, também retornará”, afirmou Carvalho ao Broadcast. O processo marca a volta de Carvalho à entidade que ajudou a fundar. Ele foi diretor executivo da Associação das Indústrias do Açúcar e do Álcool do Estado de São Paulo (AIAA) e trabalhou na fusão com outras entidades para a criação, em 1997, da Unica. O executivo foi superintendente da Unica desde a fundação até 2002. No setor, Carvalho é ainda sócio da Canaplan Consultoria.

Um dos líderes mais próximos a Rodrigues, ele foi presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura durante o mandato do ex-ministro. Carvalho conta a interlocutores ter participado, à época, junto com Rodrigues, de reuniões sobre a política para o etanol e o setor sucroenergético com a então ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, hoje presidente da República, e a ex-diretora da Pasta Graça Foster, atual presidente da Petrobras. Segundo relato desses interlocutores, as reuniões eram sempre tensas.

O mesmo clima deve dar o tom dos prováveis encontros de ambos com representantes do governo para discutir, como representantes da Unica, a crise do setor produtivo de açúcar e etanol. Recentemente, o setor escancarou o descontentamento com posições do governo e fez criticas a Dilma, Graça Foster e ao ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Alívio

A volta de usinas do Grupo Alto Alegre deve aliviar o orçamento da Unica, que será cortado dos atuais R$ 23 milhões para cerca de R$ 10 milhões no processo de reestruturação da entidade. A redução do orçamento se deverá a um ajuste na contribuição, que passará de R$ 0,13 para R$ 0,06 por tonelada de cana processada por ano por unidade, conforme revelou ontem o Broadcast.

Juntas, Alta Mogiana, localizada em São Joaquim da Barra (SP), e Alta Floresta, em Presidente Prudente (SP), processam 8 milhões de toneladas por safra e contribuiriam com uma receita à Unica de R$ 480 mil anuais, considerando o novo valor.