Apesar de ter obtido uma taxa abaixo da média nacional, o comércio varejista paranaense fechou o mês de agosto com um bom desempenho nas vendas, de acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A Pesquisa Mensal do Comércio mostrou que o varejo, no Estado, vendeu 2,2% melhor que em julho e 7,8% mais que em agosto do ano passado. O índice acumulado do ano ficou em 10,4%.

As médias nacionais, nas comparações com o ano passado, vêm sendo ligeiramente maiores que as estaduais. Em agosto, o índice de vendas ficou em 10,4% e, no acumulado do ano, o crescimento é de 11,3%.

Já na comparação com julho, as vendas cresceram um pouco menos que no Paraná: 2%. Na comparação com os mesmos meses do ano passado, o índice paranaense teve um recuo: em junho e julho, a taxa foi de 10,4%.

O principal responsável pela pisada no freio foi o setor de hiper e supermercados, que teve um desempenho idêntico ao de agosto do ano passado e ficou com índice de 0%.

Quando o segmento é ampliado e inclui o varejo de produtos alimentícios, bebidas e fumo, o índice é um pouco maior (0,5%), mas continua sendo o mais baixo entre os setores pesquisados.

O grupo, que tem o maior peso no índice geral, vem crescendo abaixo da média do varejo estadual, este ano. No acumulado entre janeiro e agosto, o índice é de 6,4%.

O melhor desempenho, tanto em agosto como no acumulado do ano, ficou com os equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação. O crescimento no mês ficou em 43,9% e, no ano, em 48,7%.

A pior performance, em 2010, vem sendo do segmento de combustíveis e lubrificantes, que tem taxa negativa de 0,6%. No segundo semestre, no entanto, o setor vem mostrando recuperação, com duas taxas positivas. Em agosto, o crescimento foi de 4,4%. Em julho, de 6,5%.

Se considerado o índice ampliado de vendas do varejo – que inclui os veículos e materiais de construção -, a taxa paranaense melhora, para 13,3% em agosto e 13% no acumulado do ano.

O indicador mensal é menor que a média nacional, que fechou em 14%. Porém, na comparação acumulada, a taxa paranaense é maior que a do País, de 12,2%. No Estado, os veículos, motocicletas, partes e peças ficaram com índices de 19,9% no mês e 16,1% no ano e os materiais de construção, de 24,5% e 18,2%, respectivamente.

Recuperação

A desaceleração das vendas dos hiper e supermercados observada em agosto tem tudo para ser revertida no último trimestre. Isso porque a indústria e o varejo de alimentos e bebidas prevê aquecimento nas vendas de fim de ano, sem risco de desabastecimento. Os setores baseiam a previsão principalmente na elevação do consumo das classes C e D.

Uma das apostas do varejo é nos produtos importados, favorecidos pelo dólar desvalorizado. “Com o crescimento do poder de compra da população, a expectativa é de que a venda de importados em 2010 seja uma das mais expressivas da empresa”, declarou o diretor de importações e exportações da rede varejista Pão de Açúcar, Sandro Benelli. A companhia prevê recorde nas vendas de produtos importados, com uma alta de até 30% sobre o Natal de 2009.