O setor de material de transporte, que inclui automóveis, motores e autopeças, já representa um quarto (25,16%) de toda a pauta de exportação do Paraná, segundo levantamento referente ao primeiro quadrimestre do ano realizado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior. Só os veículos responderam por 13,77% das vendas externas no período, permanecendo na liderança do conjunto de tudo o que é vendido pelo Estado a outros países.

As análises do Ipardes projetam um crescimento contínuo no setor de transportes, principalmente nas exportações de motores. No primeiro quadrimestre deste ano, as vendas externas do produto subiram 256%. Para este ano, a Tritec está programando uma expansão de 80 mil para 170 mil unidades. A Renault Motores, por seu lado, estima para setembro o início dos embarques para a Europa.

“O FMI calcula que a economia mundial deve crescer 2,8% em 2002. Os Estados Unidos, maior parceiro do Paraná, prevêem aumento de 2,3%. Com todos esses dados, mesmo com a crise na Argentina, as exportações do Paraná em 2002 devem suplantar as do ano passado”, afirma o economista Luiz Fernado Wosch.

Dos US$ 1,265 bilhão da balança comercial do Estado no quadrimestre, o setor de material de transporte foi responsável por uma receita de US$ 318 milhões. Já as divisas obtidas com a exportação dos automóveis chegaram a US$ 174 milhões.

“Esses valores só não foram maiores porque a produção nacional de veículos caiu 8% e as exportações tiveram um recuo de 20% no primeiro trimestre”, explica o economista Luiz Fernando Wosch, do Núcleo de Estudos Econômicos do Ipardes. “Uma boa parte dessa redução se deveu à crise na Argentina, cujas compras do Brasil caíram 56%.”

O declínio das compras argentinas, todavia, foi parcialmente compensado por outros mercados. “Isso foi possível graças ao aumento das vendas aos EUA, responsáveis por 22% de tudo o que é vendido pelos paranaenses e hoje nosso principal parceiro comercial”, acrescenta Wosch. Num contraponto, a Argentina, que já foi a segunda maior parceira do Paraná, é hoje á décima primeira. O bom intercâmbio do Paraná com os Estados Unidos se deveu às exportações dos veículos Audi e Golf, produzidos em São José dos Pinhais.

Soja

Dentro do conjunto das exportações paranaenses, a soja, antes líder da pauta, agora está em segundo lugar, mas com importante destaque: 19% de tudo o que o Estado exporta. O item foi responsável por uma receita de US$ 239 milhões no primeiro quadrimestre.

As exportações da soja neste início de ano sofreram um recuo de cerca de 50%, mas devem melhorar em função de uma previsão de crescimento de 11% na safra 2001/2002. “Os sinais dessa evolução devem surgir a partir do segundo quadrimestre, período em que se intensifica o ritmo do escoamento da safra”, lembra Wosch.

Já as vendas de milho, cujas exportações foram excelentes no ano passado e que aumentaram 116% no primeiro quadrimestre deste ano, devem sofrer uma queda a partir de agora. É que as vendas mais recentes são resíduos da safra anterior e a colheita deste ano deve sofrer uma queda de 16%.

Em compensação, os segmentos de madeira e carne estão em franca expansão. O setor da madeira, que nos quatro primeiros meses de 2001 representava 10,21% das exportações, subiu para 12,99% no mesmo período deste ano. O de carne subiu de 8,29% para 10,37%. Projeções das indústrias do setor apontam que em 2002 as exportações de frango devem ter um incremento de 12% e a de suíno, de 39%.