São Paulo – O vencimento de uma dívida pública de US$ 1,84 bilhão foi a principal causa da pressão sobre o dólar, que fechou ontem em alta de 1,04%, cotado a R$ 2,910 na compra e R$ 2,913 na venda. Mudanças nas regras de rolagem da dívida também contribuíram para a alta, em menor escala. A principal expectativa do mercado, no entanto, é com a definição dos juros básicos da economia, amanhã. As apostas são de uma queda de dois pontos na taxa Selic, hoje de 22% ao ano.

O dia foi de negócios reduzidos no mercado interbancário, o que favoreceu a pressão exercida pelos credores do Banco Central (BC) na dívida que vence hoje. Quanto maior a taxa média do dólar de ontem (Ptax), melhor será a rentabilidade dos recursos a serem resgatados. Do total da dívida, o BC renegociou 42,7%. Com isso, deixará livres na economia o correspondente em reais a US$ 850 milhões. Parte desse dinheiro, segundo analistas, já foi convertida ontem em dólares no mercado à vista.

Outra notícia que ajudou a pressionar o câmbio, de forma mais especulativa, foi a decisão do BC de rolar as dívidas cambiais com apenas um leilão. As últimas rolagens vinham ocorrendo em dois leilões. A primeira leitura do mercado foi de que a medida poderia reduzir ainda mais os percentuais de rolagem da dívida, reduzindo a exposição do governo ao câmbio e inibindo novas quedas do dólar. Numa segunda leitura, a conclusão foi de que o BC apenas reduziu a mobilidade do mercado.

O Comitê de Política Monetária (Copom) divulga hoje a taxa Selic para as próximas semanas. Apesar da previsão predominante de uma queda de dois pontos percentuais na taxa, há quem aposte numa redução maior, de 2,5 pontos. O DI de abril de 2004, o mais negociado, fechou ontem em 18,42% ao ano, contra 18,21% do fechamento de anteontem.