Consumidor vai às compras
e comércio comemora.

As vendas do comércio varejista do País aumentaram 12,8% em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da sétima alta consecutiva neste tipo de comparação e do maior crescimento desde 2001. Em maio, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento havia sido de 10,01%, de acordo com o IBGE.

O resultado positivo deve-se especialmente às melhores condições do crédito ao consumidor, com aumento de prazo de pagamento e taxas de juros menores.

Além disso, a base de comparação é fraca, pois no ano passado, principalmente no primeiro semestre, a economia do País estava praticamente estagnada, com os investidores aguardando as ações do novo governo para começar a investir e com os juros bastante altos devido a pressões inflacionárias.

Entre os 27 estados, o Paraná foi o que exerceu o quinto maior impacto sobre a taxa global do varejo, com crescimento de 15,65%. O Estado acumula, no ano, crescimento de 12,15%, e nos últimos 12 meses, variação positiva de 6,72%. Todas as atividades pesquisadas apresentaram resultados positivos, mas foi o setor de móveis e eletrodomésticos que registrou a maior expansão de vendas em junho: 50,43%, contra a média nacional de 36,31%.

Para o coordenador da pesquisa do IBGE, Nilo Lopes de Macedo, o bom desempenho do setor de móveis e eletrodomésticos revela a recuperação da renda e de empregos. “O setor vinha sendo penalizado nos últimos dois anos, por conta do ?apagão?, mudança de governo. Ninguém mais comprava eletrodomésticos”, apontou o economista. “Agora as pessoas estão tendo recuperação de renda, de emprego, contam com créditos melhores e estão mais otimistas com o futuro.” No caso específico do Paraná, o economista atribui as vendas também ao bom desempenho da agricultura e da indústria.

Outros setores que tiveram crescimento no mês foram veículos, motos, partes e peças (20,29%), tecidos, vestuário e calçados (18,60%), hipermercados, supermercados produtos alimentícios, bebidas e fumo (14,80%) e combustíveis e lubrificantes (3,53%). “O Paraná causou um impacto razoável no desempenho nacional. Só não foi maior, porque há muitos estados, especialmente no Norte, que estão em processo de alavancagem de crescimento”, afirmou o economista do IBGE. É o caso do Acre, que registrou o melhor desempenho no País: 32,82%.

Cenário nacional

O resultado positivo de junho foi generalizado nas regiões e setores. Cresceram 26 das 27 Unidades da Federação, e as maiores taxas de variação do volume de vendas ocorreram no Acre (32,82%), Rondônia (27,43%), Mato Grosso (26,37%), Maranhão (23,68%) e Amazonas (22,76%). Mas os maiores impactos sobre a taxa global do varejo vieram de São Paulo (12,77%), Minas Gerais (15,16%), Rio de Janeiro (9,19%), Rio Grande do Sul (7,94%), Paraná (15,65%) e Santa Catarina (16,24%). A única queda foi em Roraima (-9,98%).

De acordo com Nilo Macedo, até o final do ano as vendas do comércio devem ser positivas. “Não há quem indique o contrário”, afirmou. Já no ano que vem, outros fatores, como um possível desajuste externo, podem provocar a mudança do enfoque da política econômica.

Nos primeiros seis meses deste ano, o comércio acumulou alta de 10,92% em sua receita nominal e 9,33% em seu volume de vendas, puxado pelos setores de móveis e eletrodomésticos e veículos, motos, partes e peças.