João de Noronha / GPP
João de Noronha / GPP

Consumidor voltou a comprar,
mas ainda está preocupado.

Depois de dois meses seguidos de queda, as vendas no comércio do Paraná voltaram a crescer no mês de junho. Conforme pesquisa divulgada ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas avançaram 2,25% em junho na comparação com igual mês do ano passado. Em abril, as vendas haviam caído 3,41% e, em maio, 4,35%. Apesar da retomada do crescimento, a performance ficou abaixo da média nacional, que fechou o mês com crescimento de 5,31% – 19º crescimento consecutivo.

No Paraná, cinco atividades registraram crescimento nas vendas e três, queda. Entre os segmentos que contribuíram positivamente para o índice, destaque para combustíveis e lubrificantes, cujas vendas avançaram 12,31%, contra a queda nacional de 6,17%. Para o economista Reinaldo Silva Pereira, da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, as boas vendas do setor podem estar atreladas aos preços dos combustíveis. ?Quando o preço cai, as pessoas enchem mais o tanque do carro?, explicou. Em junho, a safra de cana-de-açúcar pressionou para baixo os preços tanto do álcool como da gasolina.

Outra atividade que também registrou crescimento de vendas foi o de móveis e eletrodomésticos – 15,56% no Paraná e 21,42% na média nacional. O crédito pessoal, o aumento de prazo para pagamento e os empréstimos consignados em folha contribuíram para as vendas desse setor, apontou Reinaldo Pereira. Também apresentaram crescimento de vendas os artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (13,30%), equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (72,13%) – por conta, especialmente, da queda do dólar, que reduziu os preços dos produtos de informática -, e outros artigos de uso pessoal e doméstico (25,20%).

Na outra ponta, o setor que mais contribuiu com queda foi o de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, cujas vendas caíram 5,26% no Paraná. Em nível nacional, o setor apresentou crescimento de 3,35%. Para o economista do IBGE, a redução ainda é reflexo da quebra da safra agrícola, que afetou a renda dos paranaenses. Outros setores que apresentaram redução nas vendas foram tecidos, vestuário e calçados (-8,85%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-8,15%).

Em junho, as vendas cresceram em 25 das 27 unidades da federação na comparação com o mesmo mês do ano passado. As maiores altas foram registradas em Tocantins (40,60%) e Paraíba (36,64%), e as quedas no Mato Grosso (-1,84%) e Rio Grande do Sul (-0,84%).

No ano (janeiro a junho), as vendas no comércio do Paraná registram crescimento de 0,46% – o menor índice entre as 27 unidades da federação. Em nível nacional, as vendas acumulam crescimento 4,64%. Nos últimos 12 meses, o comércio do Paraná apresenta avanço de 7,66% – acima da média brasileira de 7,29%.

A PMC (Pesquisa Mensal de Comércio) é realizada mensalmente pelo IBGE em todo o País. Para mensurar o desempenho do setor, o IBGE apura a receita bruta de revenda das empresas varejistas formais com 20 ou mais pessoas ocupadas. Ao todo, são 9 mil informantes em todo o País.