As vendas no varejo cresceram 12,16% no Paraná no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado inverteu a tendência dos últimos três anos, quando as vendas foram sempre de queda. Para o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos no Paraná (Dieese-PR), Cid Cordeiro, o resultado é bastante positivo. “Foi uma mudança fundamental, não só pela inversão da tendência como pelo grande volume de vendas”, apontou Cordeiro.

Para ele, o crescimento de vendas se deve a três fatores: queda de taxa de juros e o conseqüente aumento de crédito; aumento da renda das famílias, mesmo que tímido e finalmente a renda agrícola. “No ano passado, as vendas foram marcadas sobretudo pela renda agrícola. Este ano, a taxa de juros e o aumento da renda tiveram maior influência”, afirmou.

No primeiro semestre, o setor que apresentou melhor desempenho foi o de móveis e eletrodomésticos, com crescimento de 28,46%. Em seguida aparece o setor de tecidos, vestuário e calçados (14,96%) e super e hipermercados (10,30%). O setor de combustíveis e lubrificantes cresceu apenas 6,93%. “É um reflexo claro do impacto das taxas de juros e aumento do crédito”, afirmou Cordeiro, referindo-se ao bom desempenho do setor de móveis e eletrodomésticos. No ano passado, o setor que havia apresentado maior crescimento foi o de combustíveis.

Para o segundo semestre, as expectativas são com relação às vendas do Dia das Crianças e Natal. “Em 2001 e 2002, houve queda de vendas no Natal. Em 2003, o crescimento foi de 6,97%, enquanto para este ano, a previsão é de aumento de 10%”, afirmou o economista. Segundo ele, o setor de eletroeletrônicos projeta crescimento de 15%. Entre setembro, outubro e novembro, devem ser criadas cerca de 12 mil vagas no Paraná. No ano passado, foram 11 mil.

Outro indicador que aponta o crescimento do nível de emprego e a reação do comércio é a queda da inadimplência. No ano passado, a inadimplência no comércio no primeiro semestre era de 6,21%. Este ano, passou para 5,71%.