Apesar de um recuo na alta dos alimentos, os preços na capital paranaense, em maio, sofreram pressão dos setores de vestuário e transportes, e subiram mais que em abril.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês passado, divulgado ontem, avançou em relação aos 0,54% registrados no mês anterior, e ficou em 0,68% na capital paranaense.

Já a média brasileira ficou em 0,43% e foi a menor registrada no ano. Entre janeiro e maio, os índices estão, respectivamente, em 3,02% (em Curitiba) e 3,09% (no País).

Ao contrário do que vinha acontecendo até abril, quando os alimentos vinham aparecendo entre as maiores pressões sobre a inflação, em maio a alta no grupo recuou, ficando em 0,46% na capital.

A principal influência foi da alimentação fora do domicílio, que teve índice de 1,51%. Os produtos comprados para serem consumidos em casa tiveram até uma leve queda nos preços, de 0,06%. Ainda assim, o grupo mantém a maior alta no ano, que está em 7,58%, bastante superior à média nacional, de 5,48%.

Segundo a coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, os reajustes dos alimentos, que começaram a ceder em maio, refletiram os problemas climáticos que, no início deste ano, afetaram a quantidade e a qualidade dos produtos alimentícios, sobretudo os chamados in natura. Segundo ela, não há evidência de pressão de demanda sobre os preços desses produtos.

Mesmo com a queda de preços médios em maio, os quatro itens com as maiores altas no mês foram alimentícios: feijão-preto (13,96%), cebola (12,53%), batata-inglesa (11,25%) e acém (10,13%).

Por outro lado, as maiores baixas do mês também aconteceram em alimentos, com a tangerina (-44,58%), o tomate (-18,90%), a melancia (-14,67%), o repolho (-14,01%), o brócolis (-10,86%) e a cenoura (-10,16%) ficando com as taxas mais significativas.

Vestuário

Entre os nove grupos de produtos pesquisados, o que teve a maior alta em Curitiba em maio foi o de vestuário. O índice, porém, recuou em relação aos 2,08% detectados em abril, fechando em 1,19%, puxados principalmente pelos calçados e acessórios, que subiram 1,86%. As bolsas, por exemplo, ficaram 2,68% mais caras e os tênis subiram 3,41%.

Outro grupo que teve aumentos acima da média, em Curitiba, foi o de transportes, no qual os preços subiram 1,04%. As principais influências vieram de despesas relacionadas a veículos próprios, que tiveram índice de 1,34%.

Itens como o seguro (4,58%), conserto de automóvel (2,90%), estacionamento (2,07%), motocicleta (1,97%), acessórios e peças (1,74%) e automóvel usado (1,67%) subiram acima da média do grupo.

Entre os combustíveis, a gasolina aumentou 1,48%, mas o álcool ficou 2,22% mais barato. Os grupos de saúde e cuidados pessoais (0,88%) e de despesas pessoais (0,87%) também apresentaram aumentos acima da inflação curitibana.

No primeiro, a influência veio principalmente dos produtos de higiene pessoal (1,38%) e farmacêuticos (1,11%). No segundo, pesaram aumentos nos serviços cabeleireiros (1,47%) e empregados domésticos (1,13%).