Foto: Arquivo/O Estado

Fábrica de São José dos Pinhais também receberá recursos.

O presidente da Volkswagen no Brasil, Hans-Christian Maergner, anunciou ontem um pacote de investimentos de R$ 2,5 bilhões para o Brasil nos próximos cinco anos. Segundo ele, o montante será aplicado exclusivamente para desenvolvimento de novos produtos, para atender tanto o mercado interno quanto as exportações. O executivo evitou dar detalhes do plano, mas adiantou que uma parcela similar será aplicada nas fábricas de São Bernardo do Campo e Taubaté (SP), onde deverão ser montados, pelo menos, dois novos modelos em cada unidade.

Conforme o executivo, as plantas de São José dos Pinhais (PR) e São Carlos (SP) também receberão aportes proporcionais ao seu tamanho. De acordo o presidente da montadora, a reestruturação que a empresa promove no país também deverá chegar à unidade do Paraná.

?As negociações já começaram, mas as medidas deverão ser implementadas entre o final de 2007 e início de 2008?, disse Maergner. O executivo reiterou que a produção do Fox Europa será transferida da unidade de São Bernardo para São José dos Pinhais a partir de junho de 2007. Segundo ele, a transferência vai reduzir o custo de produção do veículo, mas a medida não será suficiente para compensar o câmbio valorizado nas exportações.

Conforme o principal executivo da Volks no país, a taxa de câmbio reduz a competitividade das vendas externas, motivo pelo qual a empresa deverá reduzir as exportações para 202 mil unidades em 2006, ante previsão inicial de 260 mil veículos. Em 2007, a redução deve continuar, com os embarques somando 185 mil veículos de passeio e comerciais leves.

O presidente da Volkswagen negou que a empresa vá paralisar as vendas externas do Fox Europa, mas ressaltou que o volume de comercialização do modelo deve cair, a exemplo das exportações totais da empresa. Segundo ele, em 2005, a montadora embarcou 85 mil unidades do Fox, volume que deverá ser reduzido a 65 mil neste ano e 50 mil em 2007. Atualmente, o principal mercado da Volks no exterior é a Europa, seguido de Argentina e México.

Na avaliação do executivo, o patamar ideal de câmbio para exportação é entre R$ 2,50 e R$ 2,60 por dólar (a moeda norte-americana vale hoje R$ 2,13). Apesar da queda dessas vendas, o mercado interno deve registrar crescimento em 2006. A previsão é de fechar o ano com 402 mil unidades comercializadas no mercado doméstico, ante 386 mil do ano passado.

De acordo com o vice-presidente de Marketing e Vendas da montadora, Berthold Krueger, o Brasil é atualmente o terceiro maior mercado para a empresa no mundo, perdendo apenas para China e Alemanha. Segundo o executivo, de janeiro a agosto deste ano a empresa vendeu 235 mil unidades de passeio no país, com uma participação de mercado de 24%.

Novo presidente

Na Alemanha, a Volkswagen anunciou ontem o nome de Thomas Schmall, de 42 anos, atualmente presidente do conselho de administração da VW Eslováquia, para substituir Hans-Christian Maergner na presidência da montadora no Brasil. A companhia informou que Viktor Klima, presidente da Volkswagen Argentina, assumirá o controle da região América do Sul na virada do ano. Nessa posição, Klima vai se reportar a Francisco Javier Garcia Sanz, membro do conselho de administração do grupo Volkswagen e responsável pela região da América do Sul.

David Powels, atual membro do conselho de administração da montadora no Brasil para finanças e estratégia corporativa, será apontado como diretor-geral da Volkswagen África do Sul a partir de 1.º de janeiro de 2007. Ele será substituído por Carlsen Isensee, atualmente responsável pela área de finanças na Volkswagen África do Sul.