Os acionistas da Eletrobrás não terão perdas com a mudança na política de reajustes de energia elétrica efetuada nessa semana, garantiu hoje (24) o presidente da empresa, Altino Ventura Filho. Segundo ele, haverá um encontro de contas entre a Eletrobrás e a binacional Itaipu, e no fim do ano o balanço da companhia estará igual ao que estaria sem as mudanças. ?Não haverá perda nenhuma, pois a redução da tarifa de Itaipu foi diluída ao longo de 15 meses?, comentou o presidente.

A operação feita pelo governo consistiu em antecipar de 1º de janeiro de 2003 para 23 de outubro de 2002 a redução da tarifa de energia de Itaipu, que caiu de US$ 18,83 o quilowatt (kW) para US$ 15,93 o kW. Mas a antecipação foi feita apenas no Brasil, e com isso a Eletrobrás continuará pagando a Itaipu o preço antigo até dezembro e cobrando o preço novo das distribuidoras. Com isso, a empresa perderá cerca de US$ 27 milhões mensais, ou cerca de US$ 60 milhões até o fim do ano. Esse valor será reposto ao longo de 2003.

Segundo Ventura Filho, a Eletrobrás não terá que desembolsar recursos ou arcar com custos financeiros enquanto não for coberta a diferença. Como a Itaipu ressarce mensalmente a Eletrobrás pelos investimentos na construção da usina, ela poderá reduzir os pagamentos desta dívida, proporcionalmente à perda da receita da Eletrobrás, permanecendo os desembolsos mútuos nos mesmos níveis anteriores.

?Os recebíveis mensais da Itaipu são superiores aos US$ 27 milhões, e temos recebíveis até 2003?, comentou o presidente. Ele disse ainda que os consumidores que terão reajustes de tarifas no início de 2003 não serão penalizados por arcarem com uma tarifa um pouco mais elevada caso a redução da tarifa de Itaipu fosse diluída em apenas 12 meses, ao invés de 15 meses. Ele lembra que os reajustes levam em conta o custo da energia nos doze meses anteriores, e nessa conta estará sendo incluída a redução ocorrida entre outubro e dezembro.