A linguagem econômica para a maioria dos brasileiros é incompreensível como ?patavina?. Mesmo os que são capazes de traduzir seu complexo e estranho vocabulário se emaranham nas suas complicações e regras, estas às vezes parecendo cenários surrealistas. É por isso que quando a oposição de sempre logra o milagre de chegar a ser situação, bate-se e debate-se diante dos problemas econômicos e empaca nos caminhos de suas soluções.

O governo Lula está desenvolvendo um programa bastante popular de crédito para aposentados, com consignação em folha de pagamento, a juros módicos em se considerando que aqui o custo do dinheiro vale o olho da cara e bate recordes mundiais. Esse programa, desenvolvido principalmente pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil, está sendo o sucesso do momento e bilhões vêm sendo emprestados a aposentados, que, ganhando pouco, dele necessitam e não podem arcar com os juros extorsivos de mercado.

Basta ligar a televisão para ver a intensa propaganda que instituições financeiras fazem desse crédito para aposentados. Se gastam tanto em propaganda, é porque se trata de um bom negócio. E se existe tanta demanda, é porque bom negócio é também para a clientela que está afastada do crédito comum.

Os juros baixos são possíveis porque é um programa de governo e este controla os meios de pagamentos através do compulsório bancário. Dinheiro que abocanha do sistema financeiro e por ele paga juros irrisórios. Pois este bem que é dinheiro para pobres aposentados, com pagamentos descontados em folha e a juros baixos, é bom para quem empresta e também para quem toma, mas pode ser um mal para a economia.

Ocorre que o programa joga no mercado uma grande quantidade de numerário, fazendo crescer os meios circulantes. E disponibiliza dinheiro para o consumo, aliás bastante reprimido nas classes mais baixas, onde estão os mutuários do crédito referido.

Com mais dinheiro e um sistema crescente de vendas a prazo, aumenta a demanda, enquanto a oferta de bens e serviços não cresce na mesma proporção e velocidade, por falta de crédito a juros razoáveis e porque a construção de uma fábrica, a instalação de uma nova loja, a ampliação de estoques, enfim o crescimento dos setores primário e secundário da economia é mais lento.

Começa então um desequilíbrio entre a procura crescente e a oferta lerda. A conseqüência pode ser o aumento dos preços dos bens e serviços e mesmo a tão temida inflação. Outro complicômetro pouco compreensível é a valorização do real frente ao dólar. O dólar caindo faz com que os exportadores, ao converter o produto de suas vendas no exterior em moeda nacional, recebam menos. Assim, interessa à nossa economia a valorização do dólar e a desvalorização do real. Parece coisa do demo.