Brasília – O embaixador de Israel em Brasília, Eitian Surkis, criticou hoje, em entrevista ao programa da Rádio Nacional, Revista Brasil, a posição da comunidade internacional frente ao terrorismo dos palestinos contra os israelenses. Na avaliação dele, o Estado israelense está sendo criticado pelo assassinato do líder espiritual do Hamas, Xeque Ahmed Yassin, mas o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) não se reuniu nenhuma vez para condenar os palestinos ao longo de três anos e meio de guerra contra Israel.

?É fundamental a comunidade internacional mandar uma mensagem clara aos palestinos e colocar pelo menos 50% da pressão que sofremos para que eles acabem de uma vez com o terrorismo. É dever do governo defender nossos cidadãos. A questão é onde fica a ONU e o Conselho de Segurança quando os palestinos estão matando nossos filhos, nossas mulheres e nossos velhos??, declarou Surkis.

O embaixador afirma que a guerra existe há mais de três anos e foi imposta contra o governo e civis israelenses. Segundo ele, no ano 2000, o primeiro ministro de Israel, Ehud Barak, aceitou a proposta do então presidente americano Bill Clinton de retirada de 97% dos territórios chamados palestinos, em uma tentativa de por fim ao conflito. ?A resposta da Palestina em relação à nossa proposta, desde 2000, foi o contrário. Se a autoridade palestina tivesse cumprido o dever que se comprometeu para combater e desmantelar a estrutura terrorista e obter a paz, Israel não precisaria fazer operações militares, nem matar ninguém. Ao invés disso, a autoridade palestina colocou o terrorismo como um meio legítimo para conseguir seus alvos políticos?, acusa.

Durante a entrevista, Eitian Surkis afirmou ainda que o líder espiritual assassinado, fundador da organização terrorista Hamas, “não tinha nada de espiritual”. Ahmed Yassin era “arquiterrorista e sua ideologia é baseada no Movimento Radical Islâmico chamado Irmandade Muçulmana, nascido no Egito, no início do século passado, o mesmo movimento que inspira a Al Quaeda”.

O governo brasileiro e a União Européia condenaram a morte do líder Ahmed Yassin, assassinado ontem depois de um ataque aéreo israelense. Os Estados Unidos apenas declararam “preocupação” com o conflito, mas afirmaram que Israel tem “o direito de se defender contra o terrorismo”.