Brasília, 22 (AE) – A embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, manifestou hoje preocupação com a chamada Lei do Abate, que autoriza a Aeronáutica a derrubar qualquer avião não identificado no espaço aéreo nacional. Ela disse que, se a lei não tiver salvaguardas suficientes para prevenir a derrubada de aviões comerciais ou que transportem pessoas inocentes, a colaboração entre o Brasil e os Estados Unidos no combate ao narcotráfico pode ser prejudicada.

Ontem (21), o ministro da Defesa, José Viegas, disse que o governo deve baixar na próxima semana um decreto regulamentando a lei. O assunto sempre causou preocupação no governo americano. Foi uma das principais questões que trouxe ao País, em março, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Richard B. Myers, para uma série de contatos com autoridades brasileiras.

Donna explicou que legalmente governo americano não pode apoiar, com informações ou equipamentos, países cujas leis não tenham procedimentos de cautela suficientes para evitar a morte de inocentes.

Os EUA adotaram regras mais rigorosas depois que um avião com missionários americanos foi derrubado pela Força Aérea Peruana. “Nos últimos meses, temos feito várias consultas com o governo brasileiro para ver como podemos conformar as leis dos dois países e continuar com nosso apoio”, disse.

Iraque

A embaixadora, que está deixando o posto no Brasil nesta semana – ela será substituída pelo empresário John J. Danilovich, que deve chegar ao País no final de julho -, disse que um dos momentos mais difíceis da sua permanência de dois anos à frente da embaixada ocorreu quando teve de explicar as razões da guerra do Iraque, já que o governo e a grande maioria da população brasileira se opunham à intervenção americana.

“Mas sempre tive espaço para me manifestar, o que facilitou minha tarefa”, disse a embaixadora americana, que chegou a falar sobre a guerra do Iraque em uma comissão do Senado.