Um ataque a mantenedores de paz da União Africana (UA) seguido de um tiroteio resultou na morte de pelo menos dez civis na capital da Somália, informaram hoje testemunhas e fontes hospitalares. Pelo menos dois mantenedores de paz ficaram feridos no episódio. O ataque ocorreu ontem em um cruzamento de uma das mais perigosas cidades do mundo poucos dias depois da chegada dos primeiros mantenedores de paz da UA a Mogadiscio.

Mustaf Farah, dono de um restaurante e testemunha do ataque de ontem, disse ter ouvido uma explosão no momento da passagem de três veículos blindados pelo cruzamento. "Vimos sangrando alguns de nossos clientes que estavam na frente do restaurante. Alguns gritavam de dor, outros pareciam em choque", relatou Farah.

Os cerca de 800 mantenedores de paz enviados por Uganda são a vanguarda de uma força da UA autorizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para ajudar o frágil governo de transição a impor sua autoridade sobre a Somália.

Apoiado por soldados da vizinha Etiópia, o governo somali recuperou o controle de Mogadiscio em dezembro último, mas a milícia islâmica que dominou a cidade durante a maior parte do ano passado ainda tenta voltar ao comando.

Enquanto isso, numa mensagem publicada na internet, o comandante do braço armado do Conselho das Cortes Islâmicas, Áden Hashi Ayro, pediu aos somalis que ataquem os mantenedores de paz. "É o momento de a juventude somali lutar contra a ocupação etíope e de outros", diz Ayro na mensagem. "Os muçulmanos não devem se render aos ímpios.