Empreender - Tribuna Alugar um espaço comercial sem se preocupar com contas de água, luz, telefone, internet e até mesmo com o cafezinho e água que tem que servir para os clientes. São os “coworkings”, ou espaços compartilhados, que cada vez mais ganham mercado em Curitiba.

Levantamento feito no começo do ano pelo consultor Erlon Labatut, do Sebrae-Pr, aponta que existem 21 desses empreendimentos na cidade. Mas quem está atuando no ramo avalia que este número já triplicou. “Fiz um levantamento antes de abrir o nosso e contei pelo menos 70 unidades”, afirma Sérgio Moriya, que junto com Igor Alexsander Belles, abriu o Four, no bairro Água Verde, em janeiro desse ano.

Igor Alexsander Belles e Sérgio Moriya, do Four: pesquisa apontou cerca de 70 escritórios compartilhados na cidade (Foto: Raquel Tannuri Santana).
Igor Alexsander Belles e Sérgio Moriya, do Four: pesquisa apontou cerca de 70 escritórios compartilhados na cidade (Foto: Raquel Tannuri Santana).

O consultor não discorda. De acordo com ele, os escritórios compartilhados são tendência no mundo todo e, em Curitiba, não poderia ser diferente. “Nossa consulta foi feita junto aos estabelecimentos já estabelecidos. Não duvido que este número tenha aumentado”, avalia. Segundo Labatut, a tendência de profissionais se agruparem de acordo com a especialização e também por região é cada vez mais evidente na cidade. “Em 2104 eram apenas oito coworking”, lembra.

Como lembra o consultor, os coworkings acabam reunindo pessoas com os mesmos interesses. No Four não é diferente. Com uma pegada mais alternativa, o espaço tem terapeutas, consultores de imagem e Coaching, entre outros. Ex-funcionário do Ceasa, no início Moriya queria abrir uma frutaria chic no bairro. “Mas fui pesquisar e cheguei à conclusão que este tipo de investimento era mais vantajoso”, explica.

Todos os coworkings tem cantina e locais de descanso (Foto: Raquel Tannuri Santana).
Todos os coworkings tem cantina e locais de descanso (Foto: Raquel Tannuri Santana).

Para quem investe, é uma boa alternativa de negócio. E para quem aluga, é um bom investimento. No Água Verde, onde o Four está localizado, por exemplo, o aluguel de uma sala custa em torno de R$ 3 mil, fora condomínio e despesas básicas. No coworking, custa entre R$ 1 mil e R$ 3,5 mil, com a diferença que todos os insumos estão incluídos.

Networking

Para quem opta por um espaço compartilhado, além da vantagem de se preocupar em pagar apenas uma despesa, no caso o aluguel, outra vantagem é a rede de relacionamentos que esses espaços colaborativos proporcionam.

Quando transferiram sua empresa de vídeo para o Orbity City, no bairro Batel, os sócios Felipe Vieira Warzensaky e Geraldo Dal Bom Neto, da Looks, tinham um receio. “A ideia de que outros profissionais ao meu lado pudessem ver o nosso trabalho me incomodava muito. Hoje, acho muito bom poder compartilhar. Considero quem está ao nosso lado como parceiros. O elo de integração entre nós é muito forte”, conta Felipe.

Andréia Pelim Bonete, gerente do Orbity City, concorda. De acordo com ela, quem trabalha no local acaba dividindo contatos e fazendo parcerias. “Aqui rola muito networking. Até mesmo os clientes pedem indicação de trabalhos”, relata. Além do coworking, no local funcionam um restaurante vegetariano e uma loja de móveis planejados.

Andréia, da Orbity City, rede de networking (Foto: Raquel Tannuri Santana).
Andréia, da Orbity City, rede de networking (Foto: Raquel Tannuri Santana).

A maioria dos coworkings oferece salas de reunião e até mesmo cursos. No Orbity a agenda já está fechada até o final do ano. “Temos um auditório que pode ser usado para cursos, palestras e treinamentos”, especifica Andréia. A capacidade é para 25 pessoas e oferece o que tem de mais avançado em termos de tecnologia, como lousa digital e cadeiras com pranchetas.

Em outro coworking da cidade, o CWBE, além de todas as benfeitorias já citadas acima, o local oferece ainda estúdio fotográfico e bicicletas elétricas para os usuários. O lugar é o mais novo espaço da cidade e foi inaugurado ontem. O CWBE comporta até 200 pessoas, 100 delas fixas.

Fabricante das bicicletas elétricas E-leeze, o empresário Roberto Stier resolveu transformar a fábrica, no bairro Hugo Lange, em espaço compartilhado. Investiu numa reforma em que foram divididos espaços e criadas salas de reunião, e o transformou em coworking.

Além de mesas e locais para reunião, uma das inovações que Stier levou para o negócio foi a cantina sem caixa. “Aqui, todo mundo vai se servir e pagar por conta própria. É assim nas cidades mais avançadas do mundo e Curitiba não poderia ficar de fora”, acredita.

Roberto Stier , do CWBE, o mais novo espaço da cidade, inaugurado ontem (Foto: Raquel Tannuri Santana).
Roberto Stier , do CWBE, o mais novo espaço da cidade, inaugurado ontem (Foto: Raquel Tannuri Santana).

Preço pode ser por

hora ou mensal

Quem estiver interessado em alugar uma mesa ou sala nos coworkings de Curitiba, os preços variam de lugar para lugar e depende da necessidade da cada um. Por hora, por exemplo, o Orbity City cobra R$ 9. A empresa oferece pacotes de horas que variam entre R$ 170 (25 hrs) a R$ 500 (100 hrs). Já uma mesa fixa custa R$ 630 e a sala privativa custa entre R$ 3,2 mil (quatro pessoas) e R$4 mil (seis pessoas). O local oferece toda a infraestrutura.

No Four a hora custa R$ 10 para visitantes, mas para quem paga um tipo de “mensalidade” (R$ 67) o valor cai para entre R$ 5,50 e R$ 8,50, dependendo da quantidade. Os aluguéis das salas custam entre R$ 1,5 mil e R$ 3,5 mil, dependendo do tamanho e quantidade de pessoas.

No CWBE, o pacote com 50 horas custa R$ 200 e os aluguéis da mesa fixa são de R$ 580. Já quem prefere trabalhar num estúdio (quatro pessoas), o valor é de R$ 2,2 mil e R$ 3,5 mil (seis pessoas) (RTS).

O que oferecem

  • Mesas (fixas ou por hora)
  • Salas
  • Estúdios privativos
  • Recepção
  • Salas de reunião
  • Auditórios
  • Portaria
  • Café e água
  • Cantinas
  • Espaços de descanso compartilhados
  • Internet
  • Telefone
  • Faxineira
  • Estacionamento
  • Bicicletário
Espaço compartilhado no Four (Foto: Raquel Tannuri Santana).
Espaço compartilhado no Four (Foto: Raquel Tannuri Santana).