Brasília – O mercado formal começou o ano com pouco fôlego. A criação de empregos com carteira assinada, apesar de positiva em janeiro, com 86.616 postos de trabalho em todo o País, foi bastante inferior à verificada em janeiro de 2005, quando foram criadas 115.972 vagas. A diminuição pode ser atribuída à indústria de transformação, cuja capacidade de criar emprego formal caiu de 32.844 postos de trabalho em janeiro de 2005 para 19.408 em janeiro passado.

Entre os Estados, São Paulo foi o que registrou o maior volume de novos empregos formais, com um saldo líquido de 47.121 postos de trabalho, ou 54,4% do total. Os números são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados hoje (23) pelo Ministério do Trabalho.

O ministro Luiz Marinho disse que o desempenho da indústria foi influenciado pelo efeito da taxa básica de juros, a Selic, ainda alta no período. Marinho prevê que o "papel perverso da Selic" afetará o emprego no setor industrial durante todo o primeiro trimestre deste ano. Depois disso, e com a continuidade da queda da taxa básica, deve haver recuperação mais acentuada dos postos de trabalho. "O Banco Central pode acelerar um pouco mais a velocidade da queda dos juros porque a inflação está sob controle", argumentou.

Marinho destacou os setores que apresentaram resultados positivos para o emprego formal em janeiro. Além da indústria de transformação, os serviços, por exemplo, foram responsáveis por 40.009 postos de trabalho. O desempenho da construção civil, com um saldo líquido de 21.244 vagas, foi o melhor da série estatística do Caged . Em janeiro de 2005 a construção civil criou apenas 7.879 empregos com carteira assinada. Até mesmo a agropecuária, que apresentou problemas durante todo o ano passado, foi capaz de criar em janeiro 7.953 empregos, quase o dobro do registrado em janeiro de 2005 (4.060).

O comércio foi o único setor que eliminou postos de trabalho em janeiro. Devido à dispensa dos empregados contratados para as atividades do final do ano, 5.211 trabalhadores perderam o emprego. Na divisão geográfica, as regiões que mais criaram emprego em janeiro foram a Sudeste (62 439 postos de trabalho) e a Sul (26.476).

O desempenho do emprego foi fraco na região Norte. Lá o saldo líquido do emprego com carteira assinada foi de apenas 139 postos de trabalho. Já o Nordeste apresentou saldo líquido do emprego negativo de 16.488 vagas e o principal motivo foi a entressafra do cultivo da cana na região.

Em janeiro, o crescimento do emprego no interior foi maior do que nas nove principais regiões metropolitanas analisadas pelo Caged. As nove regiões (Belém, Fortaleza, Recife Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre) foram responsáveis por 31.819 vagas formais, enquanto o interior proporcionou 36.223 postos de trabalho.