Rio – O emprego industrial em março caiu 0,3% na comparação com o resultado de fevereiro, na série livre de influências sazonais, segundo informou hoje (15) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com março do ano passado, a queda foi de 0,9%, é a sétima taxa negativa consecutiva.

o IBGE revelou ainda que o emprego industrial registrou queda de 1% no primeiro trimestre deste ano, quando comparado a igual período no ano passado.

Apesar disso, segundo avaliação da coordenadora da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), Isabela Nunes, "na margem" há sinais de estabilidade. É que o indicador de média móvel trimestral, que é usado para mensurar tendências, se manteve estável entre os trimestres encerrados em março e em fevereiro.

Porém, Isabela admitiu que, na comparação com as taxas do ano passado, os resultados deste ano do emprego industrial apresentam sinais negativos. "Mas esse recuo está ocorrendo há algum tempo, desde 2005", lembrou a economista.

Ela explicou que o ano de 2005 registrou quedas sucessivas no emprego industrial, devido a uma base de comparação alta, referente a 2004. A economista comentou que o emprego industrial reflete o cenário registrado na produção industrial. Mas, embora a produção industrial tenha registrado sinais de recuperação, não é uma retomada forte. Além disso, os indicadores de emprego industrial não se movimentam de forma rápida, e levam algum tempo até mostrarem reação.

Isabela comentou ainda que os setores na produção que estão liderando o crescimento da atividade no País não são intensivos de emprego. É o caso de veículos, celulares, fabricação de TVs e eletrodomésticos em geral.

Outros setores, que são muito intensivos em emprego, não estão registrando bons resultados de recuperação na atividade industrial. É o caso de calçados, madeira e máquinas e equipamentos.

Horas pagas 

O número de horas pagas na indústria também registrou queda. Caiu 1,8% em março na comparação com fevereiro. Naquele mês, tinha aumentado 1,9% na comparação com janeiro.

Ao comparar com março do ano passado, o instituto informou que o número de horas pagas na indústria em março deste ano caiu 0,6%. A queda no primeiro trimestre do ano foi de 0,4%, quando comparada a igual período do ano passado. Porém, no acumulado dos últimos 12 meses até março, o número de horas pagas subiu 0 2%.

Segundo Isabela, esse indicador é mesmo errático, já que funciona como uma espécie de amortecedor para o comportamento do emprego industrial. De acordo com a economista, o fato de que os setores que comandam a recuperação industrial não são intensivos em emprego também afetam o comportamento das horas pagas.

Folha 

De acordo com o instituto, o valor da folha de pagamento caiu 2% em março, quando comparado com o resultado de fevereiro. Houve também queda, de 0,8%, no resultado de março deste ano, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

O pagamento de bônus e gratificações explica a queda de 2%, segundo a economista. Embora o resultado da pesquisa seja livre de influências sazonais, o pagamento de bônus e gratificações nos meses de janeiro e fevereiro é um fenômeno relativamente novo – ou seja, a base de comparação não o inclui.

Segundo Isabela, "o resultado negativo deste mês não alterou a trajetória do índice de média móvel trimestral, que mostrou crescimento de 1,8%. Vale destacar que esta foi a terceira expansão consecutiva".

Ela lembrou ainda que, no primeiro trimestre de 2006, o valor real da folha de pagamento subiu 0,5%. "Isso reflete o controle inflacionário, o aumento do poder aquisitivo e dos salários médios", afirmou.