Uma carta recebida hoje (7) pela CPI dos Bingos, do empresário José Roberto Colnaghi, pôs em suspeita a afirmação feita à comissão pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, sobre o fato de ele ter se deslocado de Brasília para Ribeirão Preto em um avião particular. Há suspeita de que se trate do mesmo avião Sêneca prefixo PT-RSX que, um ano antes, teria transportado de Brasília para Campinas a doação de US$ 3 milhões feita por Cuba para a campanha de Lula em 2002. Quando depôs, no último dia 26, Palocci foi categórico ao afirmar que se tratou de uma viagem "de interesse partidário, com avião particular". "O PT disponibilizou um avião particular, alugou um avião para poder fazer a viagem", explicou o ministro.

O empresário rebateu a afirmação. Ele afirma na carta encaminhada à CPI, "enfaticamente", que "a referida aeronave, que é utilizada para minhas atividades industriais, pecuniárias e de lazer, jamais foi locada a terceiros, nem cobrado qualquer reembolso por todos quanto nela já viajaram". Para o senador José Jorge (PFL-PE), ficou claro que o "ministro não falou a verdade no seu depoimento". "Ele disse com todas as letras que a viagem foi paga pelo PT", lembrou. Por iniciativa do senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), a CPI vai votar amanhã (8) um requerimento questionando se Palocci falou a verdade no depoimento e se quer mantê-lo na íntegra ou quer alterar o que disse. A pergunta se explica: é que, como o ministro depôs como convidado, sem assinar o termo de compromisso, sua resposta permitirá que, se for o caso, embase seu indiciamento por falso testemunho.

José Roberto Colnaghi afirma na carta que se antecipou em prestar explicações porque soube que seria questionado sobre o que já havia dito à CPI no seu depoimento. "Faço-o com a finalidade de reafirmar tudo quanto declarei à CPI", justifica. A transcrição das palavras do ministro mostra que ele foi igualmente enfático ao afirmar que "o PT soltou uma nota assumindo a responsabilidade dessa viagem porque era uma viagem de interesse partidário". Mas ele não especifica do que se tratava.