Brasília – Antes mesmo de ser anunciado, o pacote para estimular a construção civil já vem sofrendo críticas do setor. O coordenador do Comitê de Habitação da Fiesp, José Carlos de Oliveira Lima, afirmou que a redução de IPI para produtos da construção civil não é suficiente para permitir que população de baixa renda tenha acesso à habitação. Segundo ele, é preciso menos burocracia para a concessão de financiamento para a casa própria. "Só reduzir IPI e aumentar o volume de crédito não resolve com esta burocracia que tem aí", disse ele, ao chegar ao Palácio do Planalto para a cerimônia de anúncio das medidas.

Segundo Oliveira Lima, em 2005 apenas 13% dos recursos previstos no Orçamento da União para habitação foram utilizados.

Já o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Romeu Chap Chap, disse que as medidas a serem anunciadas hoje são um caminho, mas precisam ser complementadas. Segundo ele, a população com faixa salarial de até 5 salários mínimos precisa ter financiamentos a custos mais baixos. "Mesmo reduzindo a carga tributária, ainda é necessário reduzir o custo financeiro do financiamento", disse Chap Chap. Segundo o presidente do Secovi, na rede bancária os juros para financiar a compra de materiais giram em torno de 6 a 7% ao mês.

Chap Chap disse que vai entregar ao governo uma proposta de que 10% do compulsório retido pelo Banco Central seja destinado a financiar uma cesta básica de produtos da construção civil, com juros de no máximo 10% ao ano. Segundo ele, a medida é importante para atingir a parcela mais pobre da população, que representa 80% do déficit habitacional do País.