A rejeição da soja transgênica por empresas processadoras do grão está beneficiando os produtores paranaenses de soja convencional. Duas grandes empresas – Olvebra e Imcopa – estão pagando bônus em suas compras de soja convencional, para que possam manter a produção farelo e derivados de soja garantindo as vendas para países que não aceitam produtos geneticamente modificados.

A empresa gaúcha Olvebra S.A. elevou o bônus de 6% para 10% nos últimos seis anos, para os fornecedores de soja convencionall. ?A tendência é de que o ágio aumente ainda mais nos próximos anos?, diz Marcelo Schaid, diretor comercial da empresa. ?A vantagem da transgênica foi anulada pelo ágio da convencional e pelos elevados custos do royalty. A tendência é que a área de não transgênicos cresça em curto prazo?, afirma Antônio Wünsch, presidente da Cooperativa Agropecuária Alto Uruguai Ltda – Cotrimaio.

ACotrimaio forneceu soja convencional até a safra 2002/03. Ela deixou de fornecer para a Olvebra quando o percentual de recebimento de não-transgênico caiu de 80% para 67%. Na safra 2003/04, a indústria firmou parceria com a Cooperativa Mista São Luiz Ltda – Coopermil, atual fornecedora. O gerente-técnico da Copermil, Sérgio Schnider, garante que a demanda por soja não-transgênica é maior que a capacidade de produção. Há quatro anos, estimava-se que 20% da produção da região fosse de grãos geneticamente modificados. Na última safra, o índice era de 70%. ?Está difícil encontrar semente convencional. Mas vale a pena porque vale um bônus que não se pode desprezar?, acrescenta.

Desde a safra 1999/2000 que a Olvebra paga um prêmio para ter soja convencional. ?Toda a nossa linha de produtos é voltada para a saúde. Então, quando surgiu a polêmica, preferimos o grão convencional?, diz Marcelo Schaid, diretor-comercial da Olvebra. No entanto, neste ano, devido à seca, a Olvebra precisou buscar grãos fora do Rio Grande do Sul. Cerca de 80% da produção da Olvebra – que recebe entre 600 a 700 toneladas de farelo por mês – veio do Paraná e Mato Grosso.

Quase toda a produção da Olvebra é voltada para o mercado externo – apenas 15% é exportada principalmente para a União Européia e Japão. Nestes mercados, além do nicho do não-transgênico, a empresa explora ainda os orgânicos. Em 2006, a perspectiva é de que produtos de soja orgânicos sejam comercializados também no Brasil. O prêmio pago ao grão que não utiliza agrotóxicos no cultivo é de 70%.