¡Señor! Tú que enseñaste, perdona que yo enseñe; que lleve el nombre de maestra, que Tú llevaste por la Tierra. Dame el amor único de mi escuela; que ni la quemadura de la belleza sea capaz de robarle mi ternura de todos los instantes. Maestro, hazme perdurable el fervor y pasajero el desencanto. Arranca de mí este impuro deseo de justicia que aún me turba, la mezquina insinuación de protesta que sube de mí cuando me hieren. No me duela la incomprensión ni me entristezca el olvido de los que enseñé.(…)

Y, por fin, recuérdame desde la palidez del lienzo de Velázquez, que enseñar y amar intensamente sobre la Tierra es llegar al último día con el lanzazo de Longinos en el costado ardiente de amor.

Gabriela MISTRAL. La oración de la maestra.

O prematuro e repentino falecimento da Professora Doutora CARMEM LUCIA SILVEIRA RAMOS desfalcou a civilística paranaense e brasileira, deixando saudade para uma plêiade de colegas professores e advogados, ex-alunos e amigos.

Poderíamos aqui relembrar a advogada criteriosa e respeitada, a professora gentil, a pesquisadora inteligente e dedicada, a autora de obras notáveis – como Família sem casamento: da relação existencial de fato à realidade jurídica (Rio de Janeiro: Renovar, 2000), referência no estudo do Direito de Família brasileiro – ou a competente Coordenadora do Curso de Direito e Conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil.

Mas o momento nos faz querer privilegiar o que nos parece sua qualidade mais importante para seus alunos e colegas: a de ter vivido uma vida com compromissos. Compromissos com o estudo e a pesquisa, inclusive com as lições que hauriu de seu mestres; compromissos com seus clientes e consulentes; compromissos com seus colegas, com seus alunos, com a nossa Faculdade de Direito. E, fundamentalmente, compromissos com as suas convicções e com a seriedade das suas atitudes.

Nesses tempos de permissividade, os compromissos da Professora CARMEM LUCIA SILVEIRA RAMOS com virtudes fundamentais como a integridade, a determinação, a solidariedade e a honestidade, sempre transmitidas nos menores gestos aos seus alunos, é um exemplo permanente para aqueles que com ela conviveram.

GUIMARÃES ROSA, em discurso que ficou famoso, proferido quando, em 1967, tomou posse na Academia Brasileira de Letras – aliás, três dias antes de vir a falecer – disse com propriedade: "A gente morre é para provar que viveu. (…) O mundo é mágico. As pessoas não morrem, ficam encantadas".

Meus caros formandos, um exemplo e um compromisso se descortinam diante de vós. Um compromisso de vida pessoal e vida profissional marcadas pelas convicções, pela honradez e pelos compromissos convosco próprios e com os outros. Tomem o exemplo da Professora CARMEM LUCIA SILVEIRA RAMOS, que nos mostra como o encantamento da morte premia uma vida digna. Nossa homenageada, certamente, deseja a todos vós muito sucesso e muita felicidade.

Oração proferida na Colação de Grau da Turma Carmem Lucia Silveira Ramos, da Universidade Federal do Paraná (Direito Diurno 2004), ocorrida em 26 de janeiro de 2005, no Teatro Guaíra.

Sérgio Seleme é professor de Direito Civil da UFPR e da Escola da Magistratura Federal do Paraná. Mestre em Direito Civil pela UFPR. Membro do Instituto dos Advogados do Paraná e do Instituto Brasileiro de Direito de Família. Advogado.