Os governos do Brasil, da Argentina e do Paraguai convidaram autoridades norte-americanas da área de combate ao terrorismo para participar, no dia 18, da reunião do Comando Tripartite da Tríplice Fronteira e de uma visita à região.

Criado em 1998, esse mecanismo é composto por especialistas em segurança pública e tem a finalidade de controlar atividades ilícitas na divisa entre os três países – na qual, do lado brasileiro, fica Foz do Iguaçu.

Depois dos atentados em Nova York e Washington, em setembro de 2001, uma de suas prioridades passou a ser a identificação de possíveis células responsáveis pelo financiamento de grupos terroristas instalados nessa região.

De acordo com nota divulgada hoje pelo Itamaraty, a delegação norte-americana será liderada pelo embaixador J. Cofer Black, coordenador para Contraterrorismo do Departamento de Estado. O objetivo do convite, conforme o texto, seria proporcionar às autoridades dos Estados Unidos a oportunidade de “conhecer in situ a realidade e os desafios afetos à Tríplice Fronteira” e de incrementar o intercâmbio de informações e as experiências entre os países no combate ao crime internacional e ao terrorismo.

Desde os atentados de setembro do ano passado, o governo americano vem insistindo nas suas suspeitas de que a região oculta células do terror, além de grupos que lavam o dinheiro de atividades ilícitas e financiam o terrorismo. A iniciativa gera dúvidas sobre uma possível pressão norte-americana para que ações militares sejam realizadas na região.

O governo brasileiro respondeu repetidas vezes que não há nenhuma prova da existência desses grupos e que as informações veiculadas pelos Estados Unidos não têm substância.

Segundo o embaixador Gilberto Saboya, subsecretário-geral de Assuntos Políticos do Itamaraty, a iniciativa de convidar os americanos para essa visita foi de interesse brasileiro. “Tem havido reconhecimento das próprias autoridades dos Estados Unidos de que não há indício concreto da existência da atividade terrorista na região”, afirmou. “Embora ainda existam preocupações, tanto dos Estados Unidos como do Brasil, é de nosso interesse acabar com suspeitas vagas, que afetam as atividades legais na região, como o turismo.”

A notícia do convite, entretanto, chega no momento em que o governo argentino autoriza, mais uma vez, exercícios dos Boinas Verdes do Comando Sul do Exército dos Estados Unidos na Província de Misiones, justamente onde se localiza a Tríplice Fronteira. Esses exercícios em florestas tropicais da região são regulares desde 1994. O Brasil não vem se opondo à realização dessas ações, mas não aceita participar delas, quando convidado.

A visita à região por representantes das chancelarias dos vizinhos sul-americanos e dos Estados Unidos será precedida, no dia 17, por uma reunião entre as quatro partes em Buenos Aires, na Argentina. O tema será a vulnerabilidade da região a crimes como o tráfico de drogas e de armas, a lavagem de dinheiro e os controles aduaneiro e de imigração.

Do lado brasileiro, estarão presentes representantes do Itamaraty, da Política Federal, da Receita Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).