Representantes de diversas entidades ligadas ao agronegócio lamentaram hoje a saída de Roberto Rodrigues do ministério da Agricultura, mas acreditam que o setor não será prejudicado pela mudança, apesar das graves dificuldades por que já vem passando e das fortes críticas à área econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fábio Meirelles, presidente da Federação dos Agricultores do Estado de São Paulo (Faesp) considerou a saída do ministro da Agricultura uma surpresa, mas disse que se trata de um ato do governo. "Entendo que o setor continuará funcionando perfeitamente, mas ainda dentro das limitações. A saída não afetará as medidas anunciadas de apoio ao setor", afirmou Meirelles.

O presidente da Associação dos Cafeicultores do Paraná e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Luiz Suplicy Hafers disse que a saída do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues se deve "ao impasse entre a coragem dos agricultores e a burocracia ortodoxa da área econômica do governo". Hafers disse que a crise atual da agricultura "se deve à conjunção astral de câmbio desvalorizado, juros altos, infra-estrutura precária e cenário internacional desfavorável". Ele diz que os agricultores hoje pagam pela ousadia de terem apostado no crescimento, "mas no fim venceram os audazes.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Orestes Prata Tibery Júnior, lamentou a saída de Rodrigues. Mesmo ressaltando a atual crise do agronegócio brasileiro, Tibery elogiou a gestão de Rodrigues frente ao Mapa. "O ministro Roberto Rodrigues sempre debateu e participou de nossas reivindicações", disse Tibery Júnior. Segundo ele, o direcionamento político e administrativo do governo federal, muitas vezes contrário ao do Ministério da Agricultura, pode ter contribuído para a decisão de Rodrigues de deixar a pasta.

Já o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), Ademerval Garcia, lamentou a mudança, já que Rodrigues foi um dos mais bem preparados ministros da agricultura e esta é uma perda significativa para o País. "Rodrigues é uma pessoa muito conhecida no exterior e, portanto, um avalista do agronegócio brasileiro por causa da sua credibilidade". Para o setor citrícola, no entanto, nada deve ser alterado na opinião do presidente da Abecitrus. "O setor é muito estabilizado e organizado", explica. "A nossa dependência do governo deriva de aspectos de exportação e defesa fitossanitária e é sabido que o governo não tem dado verba para a defesa".

Duarte Nogueira, deputado estadual pelo PSDB e ex-secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, divulgou nota em que lamenta o pedido de demissão. "No tempo em que esteve à frente do Ministério, Rodrigues sempre mostrou-se sensível às necessidades dos produtores rurais, mas foi vítima do total descompromisso do governo com o setor que gera um terço do PIB brasileiro. O ministro era um dos melhores quadros do governo federal. Com quatro décadas de militância no setor produtivo brasileiro, tinha enorme capacidade para exercer o cargo, mas sofreu com os sucessivos cortes e atrasos no repasse de recursos ao ministério da Agricultura", diz a nota.