O deputado Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido aliado e estreitamente associado ao PT e ao governo Lula, reconheceu que recebeu mensalão tamanho família do PT e renunciou ao seu mandato. Não foi um ato de contrição, uma manifestação de arrependimento, um pedido de desculpas ao eleitorado. Renunciou antes que se instalasse, na Comissão de Ética da Câmara, o inquérito que poderia levar à cassação do seu mandato. E, cassado, ficaria sem direitos políticos por oito anos, período no qual não poderia ser novamente candidato a postos políticos eletivos.

Quem definiu muito bem essa manobra foi o atual presidente em exercício e provavelmente novo presidente eleito do PT nacional, Tarso Genro, ex-prefeito de Porto Alegre e ex-ministro da Educação. Para ele, trata-se de jogar a sujeira para debaixo do tapete. Escondê-la e não produzir nenhuma limpeza. Pelo contrário, preparar o terreno para voltar perdoado por férias voluntárias, quem sabe para repetir os mesmos pecados de antes, quando exercia o mandato conquistado via ilegalidades e corrupção.

Tarso Genro, bem como outros membros da banda boa do PT, além de líderes decentes de outros partidos (eles existem!), também entendem que isso é jogar a sujeira para debaixo do tapete. Na opinião de Tarso Genro, as agremiações devem negar legenda a quem renunciar para escapar à cassação, como fez Costa Neto.

Como há no mínimo quatorze denúncias na Comissão de Ética, é possível, quase provável, que muitos desses deputados renunciem imediatamente, pois não poderão fazê-lo após instaurados os processos. Alguns, como o ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT), afirmam de pés juntos que não vão renunciar. Preferem defender-se das acusações de recebimento de dinheiro ilícito. Se não é de se aplaudir, pelo menos são merecedores de alguma indulgência. Estão enfrentando e não fugindo.

Seria interessante que o procedimento anunciado por Tarso Genro, de negar legenda aos que renunciarem, fugindo às suas responsabilidades, fosse adotado por todos os partidos. Melhor ainda, que constasse de lei. O escape que a renúncia permite é para o político delinqüente um prêmio e não um castigo. E para o eleitorado, a sonegação de uma parte do exercício do mandato que outorgou àqueles em que votou.

O povo é tapeado, roubado e ainda tem sonegados os atos de cumprimento dos mandatos políticos, no caso, legislativos, sem nenhuma compensação por isso.

Dir-se-á que os eleitores, diante de tais situações, não mais votarão nos malandros que agiram contra a lei, esconderam a sujeira debaixo do tapete e deram no pé. Muitos assim agirão, não mais votando nos que confessaram, pela renúncia, procedimentos ilícitos e fugiram da raia. Mas não podemos ignorar que o nosso eleitorado, em grande parte com pouca instrução ou nenhuma, explorado anos a fio por políticos corruptos, pode mais uma vez ser enganado, premiando desonestos. Por isso, o melhor remédio é a lei. E ?dura lex?, pois ?sed lex?.