As escritoras francesas Lucie Abadia e Fred Vargas negaram ontem em Paris, serem as responsáveis pelas remessas de dinheiro que sustentavam o ex-terrorista Cesare Battisti no Brasil, onde ele vivia clandestinamente. Lucie, de 55 anos, também historiadora, foi detida no domingo em Copacabana, no Rio, a 100 metros do local onde Battisti havia sido preso no mesmo dia. Com ela foram encontrados 9 mil (R$ 24,3 mil), que teriam sido enviados da França por um comitê formado por um grupo de intelectuais liderado por Fred.

Battisti foi descoberto em uma operação conjunta da PF, das polícias francesa e italiana e da Interpol (polícia internacional). Ex-militante do grupo de extrema-esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), que nos anos 70 confrontava os governos de direita italianos, Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália em 1993 – em um julgamento do qual não participou – por suposto envolvimento na morte de 4 pessoas

Depois de alternar um período de clandestinidade a outro de asilo político na França, ele era procurado desde agosto de 2004 três semanas após o Conselho de Estado francês decretar sua extradição à Itália. A decisão gerou enorme controvérsia, opondo políticos e intelectuais de esquerda e direita na França.

Lucie disse que o dinheiro que portava seria usado para custear suas viagens de Paris ao Rio e depois a São Paulo, onde negociaria a republicação de um livro. Na França, Lucie está na casa de Fred Vargas, amiga de Battisti, por quem também é defendida: "Lucie foi falsamente acusada por Nicolas Sarkozy (ministro do Interior da França e candidato à presidência), que quer tirar proveito do caso na campanha. Não houve encontro entre ela e Battisti e nem prisão em flagrante".

No Rio, os advogados Eric Turcon e Edgar Vicensini, que partiram da França na segunda-feira, trabalham ao lado de juristas brasileiros. Dos quatro ex-militantes de extrema-esquerda italianos presos no País antes de Battisti, nenhum foi extraditado.