Brasília – O setor público deverá terminar o ano devendo mais ou menos o que devia em dezembro passado, apesar de todo o aperto feito neste ano. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, a dívida chegará aos 51,5% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano contra 51,7% do PIB registrados em 2004. Isso ocorrerá porque, embora o setor público tenha economizado para reduzir a dívida, a conta de juros cresceu muito rapidamente. "Ainda assim, haverá uma expressiva queda, de cerca de 6 pontos porcentuais, em relação ao nível do indicador em dezembro de 2003", afirmou Lopes. Ele ressaltou que no final do primeiro ano do governo Lula, a relação dívida com o PIB fechou em 57,2%.

Em novembro, a dívida medida como proporção do PIB caiu na comparação com outubro. Ela atingiu 50,9% do PIB, contra 51 1% do PIB registrados em outubro. No entanto, em dezembro, a dívida crescerá novamente, adiantou Lopes. Isso porque as contas públicas deverão fechar o mês com saldo negativo, o que levará ao aumento da dívida.

Lopes explicou que a dívida caiu em novembro, em parte, por causa da economia de dinheiro feita para abater parte dos juros (superávit primário). Outro fator que ajudou foi a venda de ações do banco paulista Nossa Caixa no mês passado, que rendeu aos cofres públicos R$ 954 milhões e também ajudou a controlar o endividamento no mês passado. Em reais, a dívidasubiu de R$ 979,11 bilhões para R$ 984,94 bilhões por causa dos R$ 12,97 bilhões em juros não neutralizados pelo esforço fiscal dos governos. Nos 11 meses de 2005, a União, os Estados e os municípios acumulam uma conta de juros de R$ 146,47 bilhões, equivalentes a 8,28% do PIB.