A União da Juventude Socialista (UJS) – com apoio da UNE, da UBES, do MST, da CUT e de ONGs partidárias da esquerda – prepara uma série de atos de protesto por ocasião da visita do presidente norte-americano, George W. Bush, ao Brasil, no próximo fim de semana.

Wadson Ribeiro, presidente da UJS, adiantou que a primeira ação será realizada na fronteira entre o Mato Grosso de Sul e o Paraguai, país vizinho que também será visitado por Bush. O objetivo da passeata é chamar a atenção do público para a influência crescente dos EUA na América do Sul.

Recentemente, o governo americano recebeu sinal verde para a instalação de uma base militar no Paraguai. "Somos contra o modo de atuação dos EUA no mundo todo, e essa será a melhor oportunidade de expressarmos isso", declarou Ribeiro. O foco dos manifestantes, contudo, é Bush, que se encontrará com o presidente Lula. Para a capital federal, a entidade imagina um protesto com "criatividade e humor". Ribeiro acredita que cerca de três mil manifestantes participarão dos atos. "Queremos usar grandes bonecos, cartazes bem-humorados; pretendemos lembrar a manifestação de 60." No início da década de 60, o então presidente norte-americano, Dwight Eisenhower, conheceu Brasília a convite de Juscelino Kubitschek, que dava continuidade a seu projeto de abertura econômica internacional. Durante aquela visita, manifestantes carregaram cartazes com os dizeres "Go Home" (vá para casa). Meses após o encontro de ambos, o Brasil receberia vultoso empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"A questão não é a de os Estados Unidos serem um país inimigo. Mas sim a maneira como eles, por meio do presidente que têm, encaram o restante do mundo. Somos contra a guerra no Iraque; somos contra as bases militares na América do Sul; somos contra essa soberania econômica e social imposta de lá pra cá", argumenta.

O presidente da UJS disse ter percebido essa posição contrária à política externa americana como "consenso" internacional no fórum social realizado em Caracas, Venezuela. "Gente de todo os lugares, não só as centenas de brasileiros, expressou a mesma preocupação", contou. Sobre o presidente venezuelano, Hugo Chávez, declarado inimigo político de Bush, Ribeiro recua em sua análise: "Não posso dizer o que penso sobre posicionamento de Chávez. São dois países diferentes. Acho que ele tenta fazer o melhor para a Venezuela, mas é impossível dizer como ele agiria se fosse presidente do Brasil", constata.

Justamente por se tratar de realidades diferentes (Brasil e Venezuela), Ribeiro acredita que Lula tem o justo papel de receber Bush para incrementar as relações bilaterais. Contudo, adverte: "Isso não significa dizer que temos de aceitar imposições ou corroborar com a política deles (EUA). Não podemos nos afastar daquilo que é objetivo e benéfico para nosso País."

Ribeiro ainda acredita que Bush terá dificuldades na reunião de Cúpula de Mar del Plata, na Argentina, logo em seguida à visita ao Brasil. "A agenda dele (Bush) se recusa a eliminar os subsídios agrícolas que penalizam a região, e isso será um tema recorrente", concluiu.