O Ministério da Justiça foi informado pelo governo dos Estados Unidos, nesta quarta-feira, que a Promotoria Distrital de Nova York concordou em compartilhar com a CPI dos Correios os dados das contas do publicitário Duda Mendonça, ex-marqueteiro do Palácio do Planalto e coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por essas contas, segundo apuraram a CPI e a Polícia Federal, teriam circulado recursos de caixa 2 do PT no exterior, oriundos do esquema operado pelo ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares e o empresário Marcos Valério de Souza.

A reunião está marcada para a próxima terça-feira (31) de manhã, em Nova York. O compartilhamento de dados envolve tanto a conta Dusseldorf, aberta por Duda no paraíso fiscal das Bahamas, na qual foram depositados R$ 10,5 milhões do "valerioduto" em 2004 e uma segunda, descoberta recentemente pelo governo americano e comunicada em caráter reservado ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), do Ministério da Justiça. Por força de tratado entre os dois países, o DRCI estava impedido de tornar públicos ou compartilhar os dados com a CPI.

A autorização do governo americano encerra uma polêmica que vinha incomodando a CPI e desgastando o Ministério da Justiça, que conhecia os dados mas não os repassou para não desrespeitar o tratado. Enquanto corriam as negociações para compartilhamento dos dados, a CPI e o governo brasileiro conseguiram bloquear os recursos da conta, a fim de evitar que fossem retirados ou movimentados. O saldo desta segunda conta não foi revelado.

No depoimento que prestou à CPI em agosto passado, quando confessou ter recebido os depósitos na Dusseldorf com dinheiro de caixa 2, Duda não fez menção à segunda conta, descoberta recentemente quando a filha do publicitário, Eduarda, tentou efetuar um saque, em Miami. A CPI quer saber se a origem do dinheiro dessa conta é a mesma e se, para as remessas, foi utilizado o mesmo esquema de doleiros e operadores da Dusseldorf.

No depoimento à CPI e posteriormente à PF, Duda disse que havia acertado o recebimento de R$ 25 milhões do PT por trabalhos prestados ao partido em campanhas nos Estados e na eleição do presidente Lula. Ele disse que concordou em receber por meio de caixa 2 porque, do contrário, "levaria um cano". A exigência da abertura de conta no exterior, segundo Duda, teria sido feita por Valério, que nega a acusação.

Duda integra uma lista do governo americano de pessoas suspeitas de envolvimento com lavagem de dinheiro, expostas a monitoramento freqüente naquele País. O publicitário é um dos que encabeçam a lista de pessoas a serem indiciadas no inquérito do "mensalão", que investiga suposta mesada paga a parlamentares e partidos aliados do governo.