Constrangedor o clima de instabilidade emocional entre alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), no fragor dos debates sobre o inquérito do mensalão, esse aleijão malformado pela frouxidão ética e moral de determinadas personalidades distinguidas com missões importantes na cúpula político-administrativa do País.

O sereno equilíbrio, apanágio do comportamento, reações e mesmo dos pronunciamentos dos ministros da mais alta corte da Justiça, cenário que tem dado abrigo a ilustres juristas, acabou também sofrendo o impacto deletério do mais nauseabundo processo examinado ao longo da história do Supremo.

Jornais chegaram a publicar o teor de conversas informais de ministros, por meio da internet, levantando uma nuvem de especulações sobre interesses que vão além das meras suposições quanto à aceitação ou não das denúncias apresentadas contra os mensaleiros, pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza.

Agastado por ter sido citado de forma indireta na conversa dos colegas Ricardo Lewandowski e Carmem Lúcia Rocha, com a inferência de que estaria entre os que votariam pela não-aceitação das denúncias, o ministro Eros Grau disse jamais ter ouvido falar de algo semelhante no STF.

Houve bate-boca entre ministros e o constrangimento passou a ser menos sibilino em torno na nomeação do substituto do ministro Sepúlveda Pertence, que pediu a aposentadoria e se afastou do tribunal. Enfim, tudo de conformidade com o velho estilo da República.

Como o voto do relator é sobremaneira extenso e está dividido por núcleos de interesse e atuação no interior da ?sofisticada organização criminosa? descrita pelo procurador-geral, a expectativa de que os trabalhos fossem concluídos ontem não se realizou.

É provável que somente na terça-feira, 28, a totalidade dos votos dos ministros seja afinal conhecida, e a avaliação foi feita ontem pelo experiente ministro Celso de Mello. Contudo, os primeiros três votos dados pelos ministros Joaquim Barbosa, Cezar Peluso e Marco Aurélio Mello acataram a denúncia de gestão fraudulenta contra quatro executivos do Banco Rural, tido como o núcleo financeiro da operação.