Brasília – O volume de operações de crédito do sistema financeirochegou a R$ 682,9 bilhões no mês de setembro, com crescimento de 1,3% em relação a agosto e de 21% nos últimos 12 meses. Com isso, o estoque de empréstimos bancários e com desconto em folha de pagamento equivale a 33% – o nível mais alto desde 2004, quando houve a consolidação de créditos, como afirmou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.

Ele disse que, ao contrário dos meses anteriores, nos quais o crescimento maior era das operações de pessoas físicas, no mês passado, o aumento mais forte foi vinculado às pessoas jurídicas (empresas), com expansão de 2,2%, enquanto os créditos pessoais evoluíram 1,6%. Considerados os últimos 12 meses, os empréstimos a pessoas físicas nas operações com recursos livres cresceram 25,8%, ao passo que a expansão para empresas ficou em 16,9%.

O estoque de crédito destinado a pessoas físicas totalizou R$ 187,1 bilhões, com destaque para aquisição de veículos, enquanto as empresas tomaram R$ 204,2 bilhões dos recursos livres disponíveis no mercado. Computando os recursos direcionados, os saldos por atividade econômica ficaram assim: indústria (R$ 1492 bilhões), comércio (R$ 73,2 bilhões), serviços (R$ 112,2 bilhões), habitação (R$ 34,1 bilhões) e setor rural (R$ 71,9 bilhões, além de pessoas físicas, com R$ 223,5 bilhões.

São números que apresentam ?crescimento consistente? nos últimos meses, como afirmou Altamir, ao divulgar o relatório de setembro sobre Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro. Segundo ele, o crescimento observado está diretamente vinculado à redução da taxa básica de juros (Selic), que de setembro de 2005 para cá caiu 5,75 pontos percentuais, enquanto a redução da taxa média nos empréstimos bancários recuou 6,60 pontos percentuais.

O sistema bancário ainda trabalha com taxas bastante elevadas, disse Altamir Lopes. Ele ressaltou, porém, que a taxa média de 53,8% cobrada das pessoas físicas, em setembro, foi "a mais baixa da série histórica iniciada em junho de 2000?. Os juros tiveram redução ainda mais acentuada para as pessoas jurídicas, com média de 27,3% nas diferentes modalidades de operações.

O cheque especial cobrou taxa de 143,5% ao ano, enquanto o crédito pessoal ficou na média de 58,9%. As aquisições de veículos pagaram taxa de 33%, enquanto financiamento de outros bens custou quase o dobro, 61%. E as empresas tiveram custos de 37,1% no desconto de duplicatas; 50% para desconto de promissórias; 32,2% em capital de giro; e 26,9% na compra de veículos.