Brasília – O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse hoje (17) que a queda no preço do álcool, já verificada nas usinas, ainda não chegou ao consumidor porque provavelmente as distribuidoras do combustível dispõem de estoques adquiridos a preços cobrados antes do acordo entre governo e usineiros. "É preciso consumir esse estoque para que o reflexo do preço na usina surja na bomba", afirmou Rodrigues, após cerimônia em que deu posse a Célio Porto no cargo de secretário de Relações Internacionais e do Agronegócio e ao novo chefe de gabinete, Maçao Tadano.

"As informações que temos são de que, nas usinas de açúcar e de álcool, o acordo já foi implementado. Então, os preços já caíram abaixo daquele nível combinado na semana passada", disse o ministro, referindo-se à fixação do preço do litro do álcool anidro em R$ 1,05 na usina, por acordo entre governo e usineiros. "Essa redução ainda não chegou aos postos de gasolina por razões que estamos detectando", observou. Segundo ele, a hipótese mais provável é de que ainda haja estoques antigos.

Sobre o reajuste de preço do álcool anunciado ontem no Distrito Federal, ele disse desconhecê-lo, mas observou que o Ministério de Minas e Energia vai convocar uma reunião com distribuidores e revendedores para tratar das margens de lucro.

O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, determinou à Agência Nacional do Petróleo (ANP) que intensifique a fiscalização sobre as revendas de combustíveis, com o objetivo de inibir "movimentos especulativos" nos preços.

Defesa sanitária 

Rodrigues disse que pretende cumprir até julho as prioridades estabelecidas para seu ministério, entre elas os convênios com Estados, principalmente na área da defesa sanitária. A pressa do ministro pode ser explicada pelo calendário eleitoral, que só permite gastos com esse tipo de convênio até 1.º de julho. Ele demonstrou preocupação, no entanto, com as verbas para esses projetos, já que o orçamento de 2006 ainda não foi aprovado. "Necessitamos de agilidade nos procedimentos internos para que as coisas aconteçam", afirmou, prevendo que este será um ano "complicado", mas com avanços no setor de agricultura.

O ministro considerou como "absolutamente essenciais" os convênios com entidades privadas para prevenir doenças que atacam a produção de laranja, a definitiva adoção de um programa de aftosa para o Norte e Nordeste e políticas de emergência para evitar que a gripe aviária chegue ao Brasil.