São Paulo (AE) – Ao contrário do que ocorre nos países industrializados, onde a redução do número de trabalhadores na indústria é motivada pelo desenvolvimento do setor de serviços, no Brasil, na Argentina e no Chile esse movimento, conhecido por desindustrialização precoce, resultou de um processo de liberalização financeira e de comércio exterior. A conclusão é de estudo do Gabriel Palma, da Universidade de Cambridge, que apresenta a pesquisa segunda-feira na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Palma mostrará, por exemplo, que o porcentual de trabalhadores empregados na indústria brasileira caiu de 16,6% em 1990 para 11,8%, em 1998.

Entre os setores mais afetados pela desindustrialização dos anos 90 estão autopeças e alimentos, alvos de fusões e aquisições no período, sobretudo por empresas de capital estrangeiro. O setor têxtil sofreu um forte processo de sucateamento na década passada, por conta da concorrência de produtos chineses, que inundaram o mercado brasileiro com a abertura promovida pelo governo Collor.

O impacto obrigou o setor a entrar em processo de modernização, que ainda hoje exige investimentos da ordem de R$ 1 bilhão ao ano. Outro setor que perdeu com a liberalização foi o de brinquedos. Com a concorrência do produto chinês no mercado interno, o setor foi o primeiro e por muitos anos o único a ter direito a aplicar salvaguardas contra produtos importados. As salvaguardas começaram em 1996 e venceriam em 2003, mas vêm sendo prorrogadas.