Mulatas de biquíni e muitas plumas, ritmistas a caráter, mestre-sala e porta-bandeira e muito samba encerraram a noite de ontem do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que está no Rio para participar da Cúpula do Mercosul. Depois de um dia em que participou de reuniões com seus colegas e do jantar com os demais chefes de Estado no Palácio do Itamaraty, Chávez encontrou fôlego para dançar com os integrantes da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, que esperaram por mais de sete horas para homenageá-lo no Hotel Rio Othon Palace.

Os sambistas quiseram agradecer ao presidente pela ajuda financeira – estimada entre US$ 450 mil e US$ 2 milhões – dada à escola em 2006, quando a Vila foi campeã do carnaval carioca com o enredo "Soy Loco por tí América – a Vila canta a latinidade". Chávez cantou e festejou até a madrugada, chegando a dizer: "Eu sou da Vila".

O espetáculo, contudo, foi exclusivo da imprensa venezuelana, porque a rigorosa segurança presidencial isolou o lobby do hotel para os jornalistas que não são do seu país. Até funcionários do Rio Othon chegaram a ser expulsos do seu local de trabalho, em mais um incidente envolvendo os agressivos guarda-costas de Chávez.

Hoje de manhã, na porta do hotel, que segue fechado para os profissionais de imprensa que não são da Venezuela, alguns tentaram impedir uma equipe de televisão de filmar carros da sua comitiva na rua, mas foram avisados por policiais brasileiros que não poderiam fazê-lo. Depois, quando o presidente venezuelano chegou ao Copacabana Palace, repórteres foram empurrados e protestaram. Uma profissional foi agredida e ficou levemente machucada no rosto.