Brasília (AE) – A CPI do Mensalão convocou hoje (5) o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira. Ex-tesoureiro do PSDB, Ricardo Sérgio é suspeito de participação na suposta liberação de recursos para a compra de votos e aprovação da emenda da reeleição durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1997.

"É um absurdo. Ele já foi investigado, está sendo processado. Não tem sentido", reclamou a deputada Zulaiê Cobra (PSDb-SP). A comissão ainda tentou quebrar o sigilo dele, mas sem sucesso.

Ricardo Sérgio surgiu como personagem do escândalo porque se liga ao empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser o principal operador do ‘mensalão’, suposto pagamento de propina para deputados votarem a favor de projetos do governo do presidente Lula.

Parlamentares da CPI acreditam ainda que ele seria sócio oculto da Guaranhuns Empreendimentos, empresa que, segundo Marcos Valério, teria intermediado pagamento de R$ 6 milhões ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

O nome do ex-tesoureiro tucano já tinha aparecido na CPI dos Correios como proprietário do prédio onde funciona a agência DNA, de Marcos Valério. Isso porque o edifício em Belo Horizonte que hoje é ocupado pela SMP&B, empresa de Valério, pertence à Planefin, de propriedade de Ricardo Sérgio.

O ex-tesoureiro do PSDB ficou conhecido, durante o processo de privatizações das telecomunicações levadas no governo de Fernando Henrique Cardoso, por ser o suposto autor da célebre frase "Estamos agindo no limite da irresponsabilidade". A conversa teria sido mantida com ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, para favorecer o grupo Opportunity, de Daniel Dantas, controlador da Telemig, empresa privada que mais fez depósitos nas contas das empresas de Marcos Valério.