Identificado apenas como Ferreira, mais um ex-soldado do exército que combateu a guerrilha do Araguaia em Xambioá prestou depoimento ao Procurador Republica em Tocantins, Adrian Pereira Ziemba. Segundo o procurador, este terceiro depoimento confirma os relatos dos ex-soldados Josian José Soares e Raimundo Pereira. A terceira testemunha relatou maus tratos praticados pelos oficiais e sargentos contra recrutas e tortura e execuções de guerrilheiros.

Neste momento, está sendo aberta a terceira cova num sítio de 500m² em um terreno que nos anos 70 serviu como base do Exército e da Aeronáutica no combate à guerrilha do Araguaia. No local estariam enterrados os guerrilheiros Oswaldo Orlando da Costa, Peri, um camponês conhecido apenas como Batista e Walkiria Afonso Costa. Esta última teria sido torturada e executada pelos militares dentro da própria base, conforme os relatos feitos à Procuradoria da República.

O ex-soldado Ferreira contou ao procurador Adrian Ziemba que uma guerrilheira conhecida apenas como Áurea sofreu muita violência dentro da base durante um dia e uma noite. Depois, foi levada de helicóptero para a mata e nunca mais foi vista.

A guerrilha do Araguaia foi um movimento armado contra a ditadura militar nos anos 70, que recrudesceu entre 1972 e 1974, quando foi debelada. Nela estavam reunidos estudantes, intelectuais e camponeses, todos do PCdoB, no extremo norte do então estado de Goiás, atualmente região do estado do Tocantins.