Nos últimos três anos, as despesas da Presidência da República aumentaram de R$ 223 milhões para R$ 350 milhões por ano, com um acréscimo de R$ 127 milhões. Os números foram revelados pela ONG Contas Abertas, com base nos registros do Tesouro Nacional e publicados na edição da última segunda-feira pelo jornal O Globo, do Rio de Janeiro.

Grande parte dos recursos se refere aos salários percebidos pela numerosa assessoria pessoal do presidente Lula, que saltou de 68 para 149 integrantes, com média salarial de R$ 6 mil mensais. Nesse meio desponta o chamado núcleo de ?apoio?, formado por 49 pessoas (antes eram 28), quase todas oriundas do PT ou do movimento sindical, obviamente selecionadas pelos critérios de apadrinhamento pessoal do chefe do governo.

Um dado deveras polêmico citado pela matéria nos lança em rosto que além das despesas com propaganda governamental, também estão embutidos nas contas da Presidência da República os denominados gastos ?secretos?, numa excrescência inaceitável pelo elevado grau de escárnio e desrespeito para com os contribuintes escorchados por uma carga tributária inquisitorial.

Segundo o jornal, dos R$ 4,9 milhões pagos com cartão de crédito no ano passado pela secretaria da Presidência da República, R$ 4,8 milhões são mantidos sob absoluto sigilo, embora na extensa relação de contas pagas com dinheiro público se incluam até mesmo sessões de massagens relaxantes para funcionários do gabinete presidencial. Mordomia escarninha negada à maioria absoluta dos cidadãos brasileiros de classe média baixa, que jamais possuíram recursos financeiros em excesso para dar vazão a esse capricho da mais obtusa vaidade da pequena burguesia.

Pois, abnegados e fatigados integrantes da assessoria pessoal do presidente Lula, após extenuantes turnos de trabalho, que exigem dedicação e esforço acima de suas capacidades físicas e intelectuais, enquanto a massa de trabalhadores rala em locais abafados e insalubres, têm à disposição serviços especializados de fisioterapeutas renomados.

Os cartões de crédito da Presidência cobrem também despesas com alimentos finos, bebidas, despesas de viagem, hospedagem, retiradas em dinheiro e, sobretudo, os gastos sigilosos que a nenhum contribuinte ignaro se concede a prerrogativa de conhecer. Uma ignomínia incompatível com a austeridade que Lula jurou praticar, mão espalmada sobre a Constituição.