Átila Alberti / GPP
Átila Alberti / GPP

No primeiro semestre deste ano, as exportações de milho quase triplicaram
em relação ao mesmo período de 2005.

As exportações de milho pelo Porto de Paranaguá no primeiro semestre deste ano quase triplicaram em relação ao mesmo período de 2005. São cerca de 1,5 milhão de toneladas embarcadas de janeiro a junho de 2006, contra pouco mais de 540 mil no ano passado. O volume atual chega a superar o total exportado em todo o ano de 2005, quando 620.836 toneladas foram enviadas ao mercado externo, um volume menor em função da crise no mercado consumidor afetado pela gripe aviária.

Do volume total embarcado no primeiro semestre de 2006, 1,4 milhão de toneladas foram embarcadas através do Corredor de Exportação. ?Podemos dizer que o milho está salvando o ano, com esta movimentação extraordinária, substituindo a soja, que teve sua comercialização atrasada e prejudicada pela estiagem. O milho que não foi consumido no mercado interno está sendo exportado e os maiores lotes embarcados são as sobras do governo, que foram leiloadas?, disse Vilmar Debiasi, encarregado administrativo da Centro Sul.

Em 2005, a empresa exportou pouco mais de 46 mil toneladas de milho apenas entre os meses de janeiro e março. Este ano, as exportações estão seguindo um ritmo maior. Até junho já foram embarcadas mais de 600 mil toneladas e a expectativa, segundo Debiasi, é que nos próximos 15 dias outras 100 mil toneladas do produto sejam embarcadas.

As boas notícias sobre a exportação de milho alcançam todos os terminais do Porto de Paranaguá. Enquanto no ano passado, os embarques limitaram-se aos meses de janeiro a março, em 2006 as exportações começaram mais tarde, em fevereiro, mas já se estenderam pelos meses de junho e julho. O mercado consumidor contribuiu para este aumento, mas a logística apresentada pelo Porto de Paranaguá foi decisiva. ?Deixamos de exportar milho pelo Porto de São Francisco e escoamos todo o produto por Paranaguá por dois principais motivos: primeiro porque o porto abriu suas portas para uma variedade maior de cargas e, segundo, porque em Santa Catarina tem fila de caminhões e aqui não?, destacou o diretor da Coamo, João Ivano Marson. A cooperativa é uma das principais fornecedoras de milho do Paraná.

Segundo Airton Galinari, também da Coamo, a exportação de milho alcançou patamares maiores em virtude dos leilões promovidos pelo governo, uma medida aprovada por ele. ?Esperamos que esses leilões permaneçam para que mantenhamos esses mesmos volumes no segundo semestre para escoar a safrinha, colhida a partir de setembro. Com o uso do milho para a produção do biodiesel, as exportações também se acentuaram e o mercado aguarda mais cargas?, comentou Galinari.

O número de navios atracados no porto de Paranaguá para receber milho também supera em muito o volume de 2005. No primeiro semestre deste ano foram 55 embarcações, contra 12 em 2005. O principal destino do grão, segundo levantamento divulgado esta semana pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), é o Irã. Das 1,5 milhão de toneladas exportadas, 653.760 toneladas foram enviadas para o país asiático. Na seqüência dos principais destinos estão Coréia de Sul, China e Espanha.

Nesta semana, os navios ?Ariadne? e ?Blue Coral? estarão recebendo juntos perto de 150 mil toneladas de milho. Nas próximas 48 horas, o ?Belisland? e o ?Sweet Ladys? atracarão no cais comercial para embarcar 57 mil toneladas de milho cada um, com destino a Europa e Coréia.

O incremento das exportações neste primeiro semestre trouxe um importante saldo para a receita cambial gerada pela atividade portuária. São US$ 124 milhões em 2006, contra US$ 54 milhões em igual período de 2005.

Mercado

O crescimento das exportações de milho é resultado da boa produtividade da safrinha, plantada e colhida mais cedo neste ano. Segundo o site Agrolink, em uma propriedade em Cascavel, região oeste do Paraná, foram plantados 250 hectares de milho. Em 50 ha as plantas já estão secas, no ponto de colheita.

O aumento na produção brasileira de milho nesta safra também se deve ao aumento de 4,9 % da área cultivada, em substituição as lavouras de soja, e principalmente, pelo aumento de 13,1 % na produtividade média, devido ao clima mais favorável no decorrer desta safra 2005/06.

O que vem acontecendo no Paraná ? maior estado produtor, que participa com 26 % da produção total de milho ? já faz parte de estimativas positivas, calculadas por organismos oficiais sobre como irá se comportar a safra 2005/2006.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o milho terá crescimento de 18% na produção da safra principal e de 26,5% na safrinha, disso resultando uma produção final da ordem de 42,170 milhões de toneladas, volume 20% superior ao estimado pelo próprio IBGE para o ano anterior. Dados fornecidos pela Secretaria de Estado da Agricultura mostram que até a última semana 61,3% da primeira safra de milho foi vendida, enquanto a primeira safra de soja teve 58,4% da sua produção comercializada.