Joaquim Donizete do Carmo.

A feira agropecuária de Londrina, uma das mais concorridas do País, pode não contar com o leilão de gado de corte em sua próxima edição, marcada para o período de 3 a 13 de abril. Isso porque o presidente da Sociedade Rural de Londrina, Edson Neme, está tentando transferir o local do leilão – que acontece no Parque de Exposições Governador Ney Braga – para o Recinto Village, localizado em Cambé, a quase quinze quilômetros do parque. Os donos dos leilões não gostaram da idéia e alguns ameaçam não participar do evento este ano. O temor é que a mudança afaste os compradores e inviabilize a realização de bons negócios.

“A Fazenda Rio Bonito não vai aceitar o leilão fora do parque. É preferível guardar os bois a fazer o leilão nessas condições”, sentencia o supervisor agropecuário Joaquim Donizete do Carmo, o “Gaúcho”. Ao todo, são dez donos de leilões de gado de corte que participam da feira agropecuária. Segundo Gaúcho, a insatisfação é geral. “A família vai ao parque, paga estacionamento, ingresso. Ninguém vai querer sair de lá, percorrer quinze quilômetros até chegar ao leilão. O público vai cair”, prevê Gaúcho.

Segundo ele, caso a mudança seja confirmada, o número de compradores pode cair em cerca de 30%. Também o valor do volume negociado pode diminuir. No ano passado, foram vendidos 8.715 gados de corte, perfazendo um total de mais de R$ 3,5 milhões. Só a Fazenda Rio Bonito negociou 1.560 cabeças e faturou R$ 775 mil. Para este ano, a estimativa é vender entre 1,4 mil e 1,5 mil cabeças, um total de R$ 650 mil. “Este valor pode diminuir em até 20% com a redução do número de compradores”, acredita Gaúcho.

De acordo com o supervisor agropecuário, o argumento da Sociedade Rural é a necessidade de desafogar o número de animais e caminhões no Parque Ney Braga. “Isso já poderia vir sendo discutido durante o ano. Mas a decisão mesmo só foi divulgada há cerca de dez dias”, lamenta Gaúcho.