A falta de preservativos em algumas secretarias estaduais de saúde também poderá comprometer em breve os programas desenvolvidos pelas organizações-não governamentais (ONGs) de combate à aids. Esse é o temor de algumas entidades, entre elas a ONG Grupo Arco-Íris de Brasília, que trabalha com homossexuais.

"Nós também recebemos cotas de preservativos vindos do governo para atender a nossa população e essa cota é reduzida quando faltam preservativos, e a gente prejudica também as pessoas que já cadastradas na instituição, além de os eventos que promovemos para a popularização do preservativo", afirma o presidente da ONG, Antônio Lisboa.

Há duas semanas o Ministério da Saúde tenta regularizar os estoques de preservativos das secretarias estaduais. Segundo informou o Programa Nacional de DST/Aids, somente no mês de agosto já foram enviadas 35 milhões de camisinhas aos 26 estados e ao Distrito Federal e outros 65 milhões aguardam certificação. No balanço anual, até o momento foram distribuídos 104 milhões de unidades, embora o ministério tenha verba garantida para a aquisição de 700 milhões de preservativos.

O problema, conforme explicou o diretor do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Pedro Chequer, é a baixa qualidade de fabricação do produto por parte de alguns fornecedores e a incapacidade de produção para atender à demanda total do país.

Para resolver o problema, o Ministério da Saúde já negociou um acordo para a aquisição de 150 milhões de preservativos, intermediado pelo Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) e pelo Banco Mundial. "Com isso nós vamos alcançar em dezembro algo entre 400 e 500 milhões de preservativos ? o que seria o maior número até hoje distribuído no país", afirmou Chequer.

A gerente do Programa de DST/Aids do Distrito Federal, Diva Arruda, afirma que os postos de saúde do Distrito Federal tiveram uma deficiência de preservativos há poucos dias, mas que a situação já está normalizada. Ela afirma que 85% dos preservativos do estado são repassados pelo governo federal e que a secretaria recebeu um comunicado na última sexta-feira informando que mais camisinhas serão enviadas à secretaria, e que isso será suficiente para atender a demanda do mês.

Ela também informou que a secretaria vai adquirir 2,4 milhões de preservativos para suprir todas as necessidades da população local até o final do ano. Segundo Diva, a demanda mensal de preservativos do DF é de 42 mil preservativos. Mesmo assim, se houver falta de preservativos nos postos de saúde, ela orienta as pessoas a perguntarem quando o produto chegará.

"As pessoas que chegarem na rede e não encontrarem os preservativos, elas devem perguntar à pessoa da farmácia quando procurar, porque existe uma distribuição de acordo com a demanda. É feita uma grade de programação para esses preservativos, que chegam no posto de saúde junto com as medicações. Em torno do dia 20 ele é distribuído", falou ela.