O número de famílias das classes D e E que estão no mercado de consumo cresceu 5% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado. São famílias que estão voltando a consumir, depois da crise do começo de 2003. Nestas classes ocorreu a maior inclusão, pois na média de todas as camadas o acréscimo foi de 3%. Os dados são do instituto LatinPanel, que pesquisa mensalmente os índices de consumo de 64 categorias de produtos em residências do País. A amostra representa 81% população domiciliar e 86% do potencial de consumo brasileiro. A pesquisa, intitulado Painel de Consumidores, envolve quatro cestas: alimentos, bebidas, higiene e limpeza.

A quantidade média de itens comprados pelas famílias permaneceu praticamente estável no período, crescendo apenas 1%. Apenas nas classes A e B ficaram acima da média, com um aumento de 3%. Entretanto, as famílias gastaram mais – em média 6% – para consumir praticamente os mesmos volumes, refletindo o aumento de preços dos produtos. O aumento de gastos, no entanto, foi inferior à inflação acumulada no primeiro semestre, de 13,2% pelo INPC, calculado pelo IBGE.

Das 64 categorias pesquisadas, a cesta de higiene e beleza teve o melhor desempenho. O número de famílias compradoras desses produtos apresentou crescimento de 6% e o volume médio adquirido subiu 3%. Os produtos de limpeza também tiveram um bom desempenho, com aumento de 7% no número de famílias compradoras e 2% no volume médio.

Segundo Fátima Merlin, gerente de conta do LatinPanel, os itens de higiene e beleza ainda estão sendo beneficiados pelo comportamento do consumidor de usá-los como compensação para as demais privações e para facilitar atividades. “Foi o segmento que menos perdeu também no auge da crise”, lembrou. Os itens que mais elevaram sua penetração foram os cremes e loções, xampus, pós-xampus, amaciantes, detergente líquido e água sanitária. Os alimentos mantiveram seus índices de consumo nos níveis do ano passado, movimento já esperado porque as pessoas mudam hábitos que levam maior tempo para serem revistos.

Regiões

A Região Sul registrou o maior aumento no número de famílias consumidoras (8%) e no volume médio de produtos (10%). O Norte/Nordeste também apresentou crescimento: 6% no número de famílias e 4% no volume médio.

A Região Centro-Oeste, apesar ter crescido apenas 1% no número de famílias consumidoras, teve um aumento de 11% no volume médio, o maior de todas as regiões. A Grande São Paulo foi a região com pior desempenho. Registrou um baixo incremento no número de famílias, 3%, e apresentou queda de 5% no volume médio comprado.