São Paulo – A indústria brasileira de materiais de construção encerrou o ano passado com queda de 10,96% no faturamento real (deflacionado pelo INCC, Índice Nacional de Custo da Construção), segundo dados divulgados hoje (17) pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). O levantamento, produzido pela entidade e pela Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP), aponta que em termos nominais, o recuo no faturamento do setor alcançou 2 70%. Apesar do desempenho negativo, a indústria encerrou 2005 com 0,6% funcionários a mais que o total apurado em dezembro do ano anterior.

De acordo com o Índice Abramat, no último mês do ano o faturamento da indústria no mercado externo apresentou alta significativa em relação a novembro. Naquele período, o faturamento nominal com exportações cresceu 23,75% e, em termos reais, 23,29%. No mercado interno, entretanto, o desempenho foi mais uma vez negativo: queda de 3,54% no faturamento nominal e de 3,90% quando deflacionado pelo INCC. Dessa forma, o faturamento real, somados os desempenhos nos mercados externo e interno, em dezembro recuou 0,94% em termos nominais e 1,31% em termos reais.

Em nota, a entidade atribui a queda principalmente ao elevado custo do crédito no País, uma vez que a maior parte das vendas do setor é realizada no varejo e depende da disponibilidade de linhas de financiamento. "A manutenção das altas taxas de juros, por período longo, está mostrando seus efeitos, pois o custo do crédito exauriu a renda disponível. A redução recente da taxa Selic não teve impactos no curto prazo", diz a nota. "Não há compras por impulso e toda compra implica a contratação de mão-de-obra, que não é financiada. Esse fato, aliado ao custo do crédito, que aumenta as prestações, e à burocracia envolvida, em alguns casos, é fatal para as vendas", acrescenta.

A Abramat voltou a defender a necessidade de tratamento tributário diferenciado para o setor de materiais, "de maneira a anular os efeitos de contenção de demanda causados pelos juros e seus impactos no valor das prestações". Conforme a entidade, a desoneração da "cesta básica" de materiais estimularia o consumo e levaria a indústria a registrar "um desempenho compatível com níveis mínimos de crescimento do PIB".

O Índice Abramat é produzido a partir de informações mensais fornecidas pelos principais produtores de insumos para a construção civil,associados à entidade, que respondem juntos por cerca de 60% do faturamento do setor.