Rio – Se não forem eliminadas as barreiras existentes no setor de transporte ferroviário, entre 2009 e 2010 o setor poderá parar. As empresas já estariam trabalhando no limite, com a atual malha de 29 mil quilômetros, na avaliação do diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça.

Segundo ele, a associação calcula que as perdas decorrentes dos entraves ao setor alcançaram R$ 10,5 bilhões nos últimos cinco anos, em termos de eficiência operacional, tributos, impostos e avarias. "Só no transporte de carga, os prejuízos são de R$ 2 bilhões por ano", ressaltou.

As invasões na faixa de domínio das ferrovias, passagens de nível criticas, falta de regulamentação e de expansão da malha são alguns dos principais problemas enfrentados pelo setor ferroviário nacional. Rodrigo Vilaça defendeu a eliminação gradativa dessas dificuldades para que o setor não seja penalizado.

O executivo afirmou que ainda há fôlego para que a ferrovia brasileira cresça mais 3 ou 4 pontos percentuais, de modo a atingir em torno de 28% da matriz de transporte brasileira. Mesmo assim, observou que o Brasil ainda estará distante do parâmetro internacional, que é da ordem de 40% a 42%, e adotado em países continentais como Austrália, China, Canadá, Estados Unidos, Rússia e Ucrânia.

Os projetos desenvolvidos pelo setor privado, como a alternativa ao Ferroanel de São Paulo, pela MRS, e a reformulação do interior paulista, pela Brasil Ferrovias, poderão elevar o total da malha ferroviária brasileira dos atuais 29 mil quilômetros para 34,5 mil quilômetros, em 2012. Também contribui para que essa meta seja alcançada o anúncio da construção da nova Transnordestina, antecipado ontem (3) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante solenidade do programa Brasil Alfabetizado na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte.

Rodrigo Vilaça destacou ainda a necessidade de regulamentação do Programa de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e a efetivação do Plano de Revitalização das Ferrovias, lançado pelo governo em 2003, para dar um novo dinamismo ao setor ferroviário.