O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) definiu-se como "cauteloso" em relação aos resultados da eleição presidencial brasileira. No entanto, destacou ser otimista quanto à uma eventual vitória de seu candidato, Geraldo Alckmin. Cardoso explicou que apóia "profundamente" o candidato do PSDB. Em uma breve conversa com os correspondentes brasileiros na capital argentina, logo após ter participado de um debate na Academia Argentina de Ciência, o ex-presidente afirmou que "quem não é otimista não tem como fazer política".

Cardoso afirmou que não estava preocupado com as pesquisas recentes que indicam uma ampla vantagem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o ex-presidente, "a opinião pública é volátil" no Brasil. Cardoso negou que as pesquisas sejam "viciadas". Mas, ponderou: "Vejam o que aconteceu com outras pesquisas. Estavam erradas? Ou foi a opinião pública que mudou? Acho que foi a opinião pública que mudou…

O ex-presidente disse que não dava conselhos políticos a pessoa alguma. "A maneira de ajudar é não dar conselhos", explicou. Segundo ele, Alckmin não precisa desse tipo de ajuda: "Ele mostrou quem é e conseguiu 40 milhões de votos." Cardoso afirmou que é "fundamental que Alckmin fale com o País". "A conversa de Alckmin (com os eleitores) é mais recente que a de Lula. Ele tem mais dificuldades por isso.

O ex-presidente aproveitou a ocasião para desferir espetadas em Lula. "Não é questão tanto de falar se fez mais ou menos pontes que outros, se depois esquece tudo aquilo que não fez." FHC comentou com um sorriso irônico as declarações de ontem do presidente Lula, em que se comparou com os falecidos presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart. "E ele não se comparou ao Jânio? E ao Collor, não? Só depende de tempo.

O ex-presidente se reúne amanhã com os correspondentes estrangeiros em Buenos Aires para um café da manhã e depois almoça com economistas e analistas financeiros da consultoria Delloite & Touche. No fim do dia parte para a capital peruana, Lima.