A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgou, nesta quarta-feira, pela primeira vez, o índice de ajuste sazonal do Índice de Preços ao Consumidor (IPC). O indicador mede a inflação de cada quadrissemana do mês já descontadas as pressões sazonais do período. Nas palavras do coordenador do IPC-Fipe, Paulo Picchetti, trata-se de medir a "contribuição de cada mês para a inflação unicamente de fatores específicos do período ano pós ano".

A taxa desta quarta, referente à primeira quadrissemana de agosto, ficou em 0,04%, de um IPC de 0,19%. Ou seja, não fosse a sazonalidade do período, a inflação seria 0,15 ponto porcentual mais baixa. O índice foi criado levando em conta um estudo divulgado hoje pela Fipe, que passa a publicar o índice semanalmente.

Para o mês, o coordenador prevê uma inflação de 0,40%. A taxa sazonal de agosto é de 0,38 ponto percentual, o que significa que praticamente não é esperada uma pressão específica de um item, já que apenas sobra 0,02 ponto porcentual.

Especificamente em relação a este mês, a sazonalidade é facilmente detectada pela concentração de reajustes de tarifas públicas, como as contas de energia elétrica e telefonia fixa.

Agosto é o mês do ano que sofre a maior pressão sazonal de alta de inflação medida pela Fipe. Picchetti explicou que agosto recebe uma contribuição média de 0,38 ponto porcentual de elevações de preços que ocorrem especificamente nesse mês. Estas constatações fazem parte de um estudo divulgado hoje pela Fundação com base nas taxas de inflação mensais registradas desde 1999.

Isto significa dizer que, da taxa de 0,99% registrada em agosto do ano passado, 0,38 ponto porcentual correspondia à sazonalidade. Ou seja, a inflação do período dos preços em geral foi de 0,61%. Para agosto deste ano, Picchetti prevê um índice de 0,40%. Desta forma, considerando-se a sazonalidade do mês em questão (0,38 pp) pode-se perceber que muito pouco da inflação será composta por choques ou pressões pontuais. "Esta análise reforça a avaliação de que a inflação deste mês será muito boa", afirmou Picchetti.

O economista lembrou que há vários pontos por trás da inflação, como uma alta inesperada do preço do combustível, por exemplo, que interferem na constituição dos preços. "Mas existe uma variação sistemática a cada ano, que se mantém apesar de movimentos distintos da macroeconomia ou fatores climáticos", explicou. E é isto o que ele chama de "contribuição específica de cada mês para a inflação unicamente de fatores específicos do período ano após ano".

Um exemplo muito claro disso, segundo ele, é a inflação de janeiro, que conta com um impacto sazonal de alta dos produtos agrícolas e também com os reajustes das mensalidades escolares. Esta contribuição de janeiro na média dos últimos seis anos tem sido de 0,18 ponto porcentual, a terceira mais alta da apuração anual.

O estudo deixa claro também como é diferente o peso da inflação do primeiro para o segundo semestre. Há apenas uma taxa positiva entre as seis primeiras contribuições sazonais positivas na primeira metade do ano. Na segunda, a situação se inverte apenas em um mês, setembro, que mostra uma sazonalidade negativa. A Fipe encontrou os seguintes porcentuais para os meses na ordem decrescente: agosto (0,38 ponto porcentual), novembro (0,30 pp), janeiro (0,18 pp), julho (0,17 pp), outubro (0,11 pp), dezembro (0, 04 pp), fevereiro (-0,06 pp), setembro (-0,07 pp), abril (-0,16 pp), março (-0,17 pp), junho (-0,31 pp) e maio (-0,42 pp).

Se agosto é o mês que recebe maior influência sazonal altista por causa das tarifas, maio está na outra ponta, com uma sazonalidade negativa de 0,42 ponto porcentual.

Picchetti citou que fatores como o pico da safra agrícola do País e promoções de presen tes para comemorar o Dia das Mães – a segunda melhor época do ano para o comércio, atrás apenas do Natal – estão por trás do número mais favorável.

O coordenador escolheu o período de comparação a partir de 1999 por três motivos. O primeiro é porque o câmbio passou nesse ano a ser cotado livremente, com flutuação; o segundo é porque também em 1999 houve a implantação do sistema de metas de inflação e o terceiro é porque todo o processo de privatização das companhias que atuam na área de infra-estrutura já havia sido concluído.

"Além disso, é um tempo suficientemente longo para uma pesquisa, com eleições no período e diferentes cenários macroeconômicos aqui e no exterior", completou.