Equipes da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e do Instituto Estadual de Floresta (IEF) realizaram na manhã deste sábado ações de emergência em uma barragem de água no município de Piranga, na Zona da Mata mineira. A barragem apresentava uma grande fissura, com ameaça de rompimento. Os representantes dos órgãos ambientais foram alertados ainda na noite de sexta-feira pelo Corpo de Bombeiros.

Durante a madrugada, técnicos que estavam na cidade de Miraí – onde na madrugada da última quarta-feira uma barragem de rejeitos de bauxita da Mineradora Rio Pomba Cataguases se rompeu provocando o derramamento de pelo menos dois bilhões de litros de lama – foram para o local.

De acordo com a Feam, a barragem de água foi construída sem licenciamento do IEF, em uma Área de Preservação Permanente (APP), na zona rural de Piranga. A barragem foi classificada como de "médio porte" e o risco de rompimento era considerado iminente. "Em razão do volume de chuvas no local, a gente presumia que havia risco de rompimento", disse o presidente da Feam, Ilmar Bastos dos Santos. Segundo ele, moradores da região foram alertados do perigo.

Como primeira medida de controle, os técnicos fizeram um escoamento – abertura de um "ladrão" – no lado esquerdo do dique o que resultou na redução do nível da água. Um novo escoamento estava sendo feito no lado direito. Outra ação seria a cobertura da área da fissura com lonas para evitar erosão. "A nossa avaliação é que a situação está sob controle. O nível da água da barragem está baixando, reduzindo a pressão sobre o barramento", observou o presidente da Feam.

A barragem funciona como um açude de peixes. O fazendeiro João César Lopes foi autuado e, conforme o governo mineiro, seria multado pelo IEF (por intervenção em APP) e pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), por falta de outorga para o empreendimento. Como trata-se de uma barragem particular, a responsabilidade pela fiscalização é do IEF.

Potencial de dano

Conforme o último relatório da Feam, existem 616 barragens cadastradas em Minas Gerais pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema). Destas, 348 são de mineração e 232 de indústrias; o restante é de infra-estrutura. O levantamento indicou que 193 apresentam alto potencial de dano ambiental em caso de rompimento; 255, médio potencial de dano e 168 baixo potencial.

O cadastro foi iniciado em 2003, após o rompimento de um dos reservatórios de rejeitos da Indústria Cataguases de Papel Ltda. que causou um desastre ambiental. "O nosso intento é diminuir ao máximo o risco", disse Ilmar.

Protesto

Em Mirai, continuavam os trabalhos de remoção da lama que invadiu casas, comércios, afetando pelo menos duas mil pessoas. Um carro de som convocava os moradores para que comparecessem à Câmara Municipal e registrassem boletim de ocorrência.

Na cidade vizinha de Muriaé, também atingida pela lama, e por enchentes, moradores protestaram nas ruas durante noite de sexta e madrugada deste sábado. A população local teria se revoltado depois que carros pipa enviados pela companhia estadual de saneamento (Copasa) para a cidade fluminense de Laje do Muriaé passaram pelo município mineiro. Eles cobravam também da prefeitura providências quanto à limpeza das ruas e a reposição de vacinas nos postos de saúde. Os moradores fizeram barricada nas ruas de um dos bairros mais atingidos pela lama. Eles puseram fogo nos móveis e objetos destruídos pela enxurrada.