O PSDB, tendo resolvido o seu impasse ao escolher o governador paulista Geraldo Alckmin como candidato à Presidência da República, faz com que a campanha eleitoral comece de fato, mesmo que intempestivamente. Aliás, já havia começado, com as sortidas de Lula Brasil afora, fazendo discursos com evidentes fins eleitorais. O PSDB venceu um dilema até certa forma semelhante ao do técnico da seleção, que não consegue definir o time que vai jogar na Copa do Mundo por excesso de valores e não por falta. Tanto Alckmin como José Serra eram candidatos prestigiados pela cúpula do partido e pelos seus filiados e simpatizantes. De certa forma, a escolha foi uma surpresa, pois embora Serra tivesse declarado, no passado, que não abandonaria a Prefeitura de São Paulo em meio ao seu mandato, as pesquisas de opinião pública o indicavam preferencialmente para enfrentar Lula, candidato à reeleição.

Já nas hostes situacionistas a situação é inversa. O PT só tem um candidato e mesmo os partidos aliados não dispõem de nomes que possam com ele disputar a indicação do grupo. No duro, o PT não tem candidato. É Lula que tem o PT, tísico, desmoralizado, mas ainda uma agremiação na qual há quem deposite justas esperanças de que um dia possa significar uma mudança efetiva na política brasileira. A que fez neste primeiro mandato, não valeu, pois deu-se às avessas das expectativas populares.

A candidatura de Lula tem agora o opositor Alckmin e tudo indica que o atual governador de São Paulo tende a crescer na preferência popular. Doravante será mais visível nas enquetes, o que desde logo deve ser uma preocupação para o atual presidente. E pelos ensaios de candidato que já fez, o governador paulista mostra que não tem papas na língua. Irá, portanto, bater duro no adversário, contando com uma agremiação unida e ainda capaz de atrair outras siglas, especialmente o PFL.

Lula já está sob fogo amigo. Um grupo expressivo de petistas, os seus novos mandantes e ainda o que resta da ala ortodoxa da agremiação dos trabalhadores, exige mudanças políticas e, em especial, na política econômica, menina dos olhos de Palocci e novidade encantadora para o presidente da República, que estava acostumado a uma linguagem de candidato de esquerda, muitas vezes inconseqüente e diametralmente oposta a que está sendo praticada.

Volta-se também contra o governo petista a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, condenando toda a política de Lula, considerando-a estamentos para construção de um ?paraíso financeiro? e de estar longe de caminhar para a justiça e a paz social.

Contra o governo, e até ?manu militari?, lutam os movimentos dos sem terra, criando situações graves, como a destruição de plantações, laboratórios de empresas e promovendo invasões que não poupam nem repartições públicas federais.

Afinal, mas não finalmente, volta-se contra o governo Lula e seu jeito de administrar o empresariado, através de manifestação da maior de suas entidades, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. A Fiesp hipotecou solidariedade ao posicionamento crítico dos bispos ao governo Lula.

O governo e o seu candidato estão sob fogo amigo cerrado.