Mais uma volta está sendo dada no parafuso que atarracha as relações entre petistas puros e representantes dos demais partidos na genuína colcha de retalhos, que é a chamada base governista no Congresso. Afinal, uma frente parlamentar que congrega sob o pálio lulista personalidades tão díspares quanto os deputados Paulo Maluf (PP-SP) e Ciro Gomes (PSB-CE), provavelmente os signos do antagonismo flagrante que confina em células incomunicáveis, as variegadas falanges governistas.

O mal-estar que se avizinha diz respeito à escolha do relator do projeto de emenda constitucional (PEC) da reforma tributária, na Câmara dos Deputados. A essa altura do campeonato, recém-iniciada a peleja com a entrega da proposta governamental ao Congresso, a base ensaia os primeiros lances de um combate que promete. Operadores políticos do Planalto e autênticos do PT dão a entender que gostariam de indicar para a relatoria da proposta o deputado Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro da Fazenda.

Todavia, os demais integrantes da base partidária, tendo à frente o PMDB, dono da maior bancada isolada, fazem força para que o escolhido seja o deputado Sandro Mabel (PR-GO). Aliás, a assessoria do parlamentar goiano propagou na última sexta-feira que a decisão já estava sacramentada, com base num documento encaminhado ao presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), contendo a assinatura de vários líderes partidários em referendo à indicação de Mabel.

A principal razão invocada pelos defensores de Sandro Mabel assevera que nos últimos oito anos o parlamentar tem se aprofundado no estudo da questão tributária, sendo atualmente um dos maiores conhecedores do tema no âmbito do Congresso. Foi lembrado também o acordo anterior que confiou a Palocci a tarefa de relatar a PEC da prorrogação da CPMF, reservando-se a Mabel função igual na próxima matéria tributária confiada à Câmara.

Petistas da primeira linha do coro retrucam que nada sabem sobre tal acerto, afirmando que ninguém é mais habilitado para tratar de reforma tributária que o ex-ministro Antonio Palocci. Acima do interesse de cumprir com esmero a obrigação institucional já começou a arder a fogueira das vaidades políticas, até porque 2010 está próximo.