Durante o metabolismo, as plantas produzem e liberam substâncias secundárias (os aleloquímicos), que podem interferir no crescimento e no desenvolvimento de outras plantas que se encontram próximas. Esse fenômeno é chamado de alelopatia, e pode ser benéfico para agricultura quando interfere negativamente no estabelecimento e no crescimento de plantas daninhas, mas, por outro lado, pode causar problemas quando afeta culturas comerciais.

O pesquisador Pedro Luís Alves, da Universidade Estadual Paulista, é um dos estudiosos do tema e vem avaliando, nos últimos anos, o efeito inibitório do girassol no crescimento de plantas daninhas. Ele apresentou os resultados de suas pesquisas durante o 5º Encontro de Ecologia Química, evento que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Soja, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, está promovendo em Londrina, Paraná, e termina nesta quinta-feira (4/10).

"Normalmente, as plantas sob estresse biótico, como a competição, por exemplo, produzem os aleloquímicos para se defender. Contudo, há a hipótese de que mesmo antes de sentir o efeito do estresse, as plantas já se preparam para se defender." explica. As plantas apresentam fitocromos, que são sensores de luz capazes de influenciar no metabolismo. É como se a planta fosse "avisada" fisicamente que algo diferente está acontecendo no ambiente, a partir do espectro luminoso (tipo de luz) a que ela está sendo exposta. Isso desencadeia reações diferentes no seu organismo", complementa.

No girassol, por exemplo, há estudos que indicam que quando há predomínio de luz amarela a planta sofre uma mudança na composição do aleloquímicos, tornando-a mais agressiva. De forma semelhante, quando exposta a alterações na relação vermelho/vermelho distante do espectro luminoso, a planta reage acelerando o metabolismo de forma a se resguardar para uma eventual competição com outra planta. Com essas informações em mãos, o pesquisador avaliou 42 cultivares de girassol e descobriu que uma planta normal apresenta um potencial de 40% de inibição do crescimento de outras plantas e que, submetidas à exposição à luz amarela ou diminuindo a relação vermelho/vermelho distante, essa inibição aumenta para 50% a 70%.

As substâncias inibidoras de crescimento são produzidas nas folhas e abrem a possibilidade de um melhor aproveitamento da planta de girassol. "Além das sementes, as folhas também podem ser aproveitadas comercialmente. É um comportamento diferenciado que pode dar origem a herbicidas naturais, a novas fórmulas sintéticas, além de subsidiar as pesquisas com melhoramento genético da cultura".