O mundialmente conhecido físico austríaco radicado na Califórnia, Fritjof Capra, encerrou nesta sexta-feira em Foz do Iguaçu, falando para cerca de 1,5 mil pessoas, o fórum internacional ?Diálogos da Bacia do Prata?, cuja instalação fora presidida em meados da semana pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. O evento contou com a participação de representantes do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia.

Na verdade, o encontro serviu de referência preparatória para o Fórum Mundial das Águas, a ser realizado em março do ano que vem na Cidade do México, oportunidade em que estarão sob o crivo de renomados pesquisadores os grandes entraves que afligem a oferta de recursos hídricos no planeta.

A principal meta dos que lutam pela preservação do meio ambiente e das fontes de recursos naturais – como os mananciais de água doce – é a adoção de técnicas conjuntas para o uso racional desse patrimônio comum. No caso da Bacia do Prata, a segunda maior da América do Sul, a preocupação tem-se manifestado nos últimos anos com maior interesse.

Os países que enviaram representantes a Foz do Iguaçu são usuários dos recursos hídricos da bacia que banha cerca de 3,1 milhões de quilômetros quadrados, formada pelos rios Paraná, Paraguai e Uruguai, que se reúnem em território argentino recebendo o nome de Rio da Prata.

Com o avanço do processo industrial e, principalmente, da agricultura intensiva, os cursos fluviais tributários dos grandes rios acabaram servindo como vias de transporte de resíduos de agrotóxicos utilizados nas culturas típicas da região, assim como contribuíram para o assoreamento e degradação ambiental de muitas regiões.

A problemática não poupou a extensa área coberta pela Bacia do Prata, transformando a imensa corrente que deságua no Atlântico na altura de Punta del Este, conhecido balneário uruguaio, num repositório de péssimos exemplos dos males causados pela poluição e eliminação da flora e da fauna aquáticas.

Cuidar dos recursos hídricos é um dever tão importante quanto cuidar da própria vida. A responsabilidade primeira pertence às autoridades constituídas, é verdade, mas a cidadania não poderá desertar da tarefa individual no grande esforço que comove milhões de homens e mulheres mundo afora.

Diante da destruição das florestas e do uso predatório da água potável em muitos países, incluindo o Brasil, alguns abnegados se entregam ao martírio para clamar contra a irracionalidade. Quando falha a razão, prega o bispo Cappio, só resta a loucura.