A estratégia da Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa é convencer os eleitores brasileiros de que a proibição da venda de armas de fogo não vai alterar o quadro de violência no país. Segundo o presidente da frente, deputado Alberto Fraga (PFL-DF), as armas que alimentam o crime organizado são vendidas ilegalmente – e o referendo questiona a população sobre o comércio legal das armas de fogo. "Oitenta e sete por cento das armas que participam dos crimes são ilegais. Por que punir um cidadão de bem que comprou uma arma, deixou o seu CPF, o seu endereço? Qual a verdadeira intenção do governo? É isso que queremos discutir", afirmou Fraga.

Na opinião do deputado, a violência no Brasil só será combatida com políticas públicas que alcancem as armas que circulam no mercado paralelo. Alberta Fraga afirmou que, em 2004, o mercado legal vendeu apenas 1.044 armas de fogo. "Não é razoável gastar tanto dinheiro em um referendo para proibir que pouco mais de mil armas sejam vendidas legalmente. Isso é estupidez, para não dizer incompetência", ressaltou.

O presidente da frente parlamentar disse que os deputados e senadores contrários à proibição ainda não articularam ações diretas para a campanha do referendo. Segundo Fraga, não está descartada a possibilidade de captação de recursos junto às empresas que fabricam armas e munições. "Estamos conversando com as indústrias bélicas. Eu é que não posso tirar um centavo do pouco que tenho, nem nenhum parlamentar. Quem tem que fazer alguma coisa são as empresas bélicas brasileiras para salvar seus empregos e o seu comércio".

Alberto Fraga reconheceu que os parlamentares contrários ao referendo terão menos recursos para empregar na campanha se comparado à Frente Parlamentar por um Brasil sem Armas – que pretende reunir recursos por meio de doações. "Se formos competir financeiramente, está na cara que é impossível. Vamos buscar nos horários de televisão um equilíbrio", ressaltou.

Uma das estratégias da frente é apresentar na campanha estatísticas e balanços feitos pelas secretarias de Segurança Pública dos estados sobre a violência – já que os recursos financeiros serão poucos. "Vamos ficar restritos à opinião pública esclarecida, que de uma forma consciente, poderá se manifestar sobre essa matéria", disse.

Integram a Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa, presidida por Alberto Fraga, o senador Juvêncio da Fonseca (PDT-MS), e os deputados Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), Abelardo Lupion (PFL-PR), Onyx Lorenzoni (PFL-RS), Coronel Alves (PL-AP), Cabo Júlio (PMDB-MG), Josias Quintal (PMDB-RJ) e Pompeu de Mattos (PDT-RS). A frente parlamentar também terá como coordenadores regionais os deputados Capitão Wayne (PSDB-GO), no Centro-Oeste, Josué Bengtson (PTB-PA), na região Norte, Inaldo Leitão (PL-PB), no Nordeste, Jair Bolsonaro (PP-RJ), no Sudeste, e Enio Bacci (PDT-RS), no Sul do país.